O clima de celebração pelo ano histórico do cinema brasileiro em Hollywood foi subitamente interrompido por uma polêmica diplomática e cultural.
Um renomado cineasta europeu disparou críticas ácidas contra a postura dos membros brasileiros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, sugerindo que o apoio aos filmes do país ocorre por “ultranacionalismo” e não necessariamente por mérito artístico.
“Há muitos brasileiros na Academia e nós os adoramos, mas eles são ultranacionalistas. Acho que se os brasileiros submetessem um sapato ao Oscar, todos votariam nele”, afirmou o diretor em entrevista que rapidamente viralizou.
A fala ocorre justamente no momento em que o Brasil atinge seu ápice de reconhecimento na premiação, quebrando recordes que perduravam por mais de duas décadas.
VEJA O VÍDEO:
Oliver Laxe, diretor de ‘Sirāt’, desmerece as conquistas do Brasil no #Oscar.
“Há muitos brasileiros na Academia e nós os adoramos, mas eles são ultranacionalistas. Acho que se os brasileiros submetessem um sapato ao Oscar, todos votariam nele.”
pic.twitter.com/l3rNjEFHKq— VHS CUT (@vhscut) January 23, 2026
O ano de ouro do cinema nacional
A declaração ácida surge como um contraponto ao sucesso avassalador das produções brasileiras em 2026. Este ano, o país garantiu cinco indicações, superando a marca histórica de Cidade de Deus (2004), que concorreu em quatro categorias.
O grande destaque é “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho. O longa-metragem não apenas figura na lista de Melhor Filme Internacional, mas também furou a bolha das categorias principais, disputando os prêmios de Melhor Filme, Melhor Ator e Melhor Elenco.
Somando-se ao sucesso, o filme “Sonhos de Trem” colocou o país na disputa de Melhor Fotografia, com o trabalho de Adolpho Veloso.
A analogia do “sapato” não foi bem recebida pelo público e pelos profissionais do setor no Brasil. Brasileiros acusaram o cineasta de não aceitar a ascensão de polos cinematográficos fora do eixo tradicional Europa-Estados Unidos.
Atualmente, a Academia conta com uma presença significativa de brasileiros, entre diretores, atores, figurinistas e técnicos, como parte de uma política de diversidade implementada pela instituição nos últimos anos.
Especialistas do setor argumentam que o voto desses profissionais é baseado no rigor técnico e na qualidade narrativa das obras, que vêm sendo premiadas nos principais festivais do mundo, como Cannes e Veneza, antes mesmo de chegarem ao Oscar.
