Diretor espanhol nega ataque a brasileiros: “Era ironia”

O clima de rivalidade nos bastidores do Oscar 2026 ganhou um novo capítulo de retratação. O cineasta espanhol Oliver Laxe decidiu se pronunciar após a tempestade de críticas que recebeu por chamar os brasileiros de “ultranacionalistas” durante o processo de votação da Academia.

Em entrevista ao jornal espanhol Diário ABC, o diretor de Sirāt tentou colocar panos quentes na polêmica, alegando que tudo não passou de um mal-entendido provocado pelo tom humorístico de um programa de TV.

A controvérsia começou quando Laxe, ao comentar o crescente peso do Brasil entre os membros votantes da Academia, brincou que, se um sapato brasileiro fosse submetido à premiação, receberia todos os votos do país.

A declaração caiu como uma bomba nas redes sociais, especialmente em um ano em que o cinema nacional vive seu ápice histórico, com um recorde de indicações.

“Vivi isso mal, claro. Sinto muito se ofendi pessoas. É um programa radicalmente irônico e de humor, não nos levamos a sério”, defendeu-se o diretor, classificando o episódio como uma “piada um pouco ruim”.

A ironia de Laxe toca em um ponto sensível: a onipresença brasileira na edição de 2026. Com produções em cinco categorias, o Brasil é o grande destaque da temporada.

O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, disputa as estatuetas de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator e Melhor Elenco. Além disso, o país concorre em Melhor Fotografia com Adolpho Veloso (Sonhos de Trem).

O detalhe que torna a fala de Laxe ainda mais delicada é a concorrência direta. O filme dele, Sirāt, disputa a categoria de Melhor Filme Internacional justamente contra o favorito brasileiro e outras produções de peso, como A Voz de Hind Rajab.

Ao tentar minimizar a importância de suas palavras, Laxe busca desarmar o clima de hostilidade antes da cerimônia, embora, para o público brasileiro, a “piada” tenha soado mais como um sintoma do incômodo europeu diante do avanço avassalador do cinema latino-americano.

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