O clima de tensão entre os Poderes ganhou um novo capítulo na manhã desta quarta-feira (11/3). Em meio ao turbilhão provocado pelas investigações envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), utilizou suas redes sociais para fazer uma defesa enfática da Corte e enviar um recado direto aos críticos: muitos ataques não passam de uma tentativa de desviar o foco de “próprios crimes e erros”.
Dino, que atualmente preside a Primeira Turma do STF, reiterou o posicionamento que já havia manifestado em sessão colegiada, sustentando que a instituição possui um saldo amplamente positivo em suas decisões.
“O STF acerta muito mais do que erra. Muito mais mesmo”, afirmou o magistrado, em um momento em que o Tribunal enfrenta uma ofensiva coordenada no Congresso Nacional.
Para ele, o “ataque geral” que a Corte sofre hoje é movido por uma combinação perigosa de “vinganças, ódios e interesses” de setores tanto do Estado quanto do mercado.
A manifestação de Dino surge como um escudo institucional após as recentes suspeitas de ligações entre ministros da Corte e o banqueiro Daniel Vorcaro ganharem tração no Legislativo.
O episódio serviu de combustível para que parlamentares desenterrassem pautas que limitam o poder do Judiciário, como a criação de mandatos fixos para ministros do Supremo e até o protocolo de novos pedidos de impeachment contra integrantes do tribunal.
Para fundamentar sua defesa, o ministro elencou temas sensíveis em que a atuação do STF foi, e continua sendo, decisiva para o país, citando o enfrentamento à pandemia da Covid-19, a proteção do meio ambiente, o combate ao crime organizado e a fiscalização do “orçamento secreto”.
Segundo Dino, ao misturar críticas legítimas com “equívocos repetidos à exaustão”, cria-se uma confusão que prejudica a democracia.
“É essencial ter serenidade, moderação e prudência para separar o joio do trigo”, concluiu, alertando que diagnósticos errados sobre o papel do Supremo podem conduzir o Brasil a “gigantescos desastres”.
