Dino determina investigação sobre emendas sem plano de trabalho

Brasília (DF) 14/08/2024 O ministro do STF, Flávio Dino, participa do seminário "A necessidade de regulamentar as redes sociais e o papel das plataformas na economia digital" Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal (PF) investigue possíveis irregularidades em emendas parlamentares que somam R$ 694 milhões.

A medida tem como foco 964 emendas individuais de transferência especial, conhecidas como “emendas Pix”, que foram aprovadas entre 2020 e 2024 sem o devido cadastro de um plano de trabalho no sistema oficial do governo.

Em sua decisão, Dino deu um prazo de dez dias úteis para que o Tribunal de Contas da União (TCU) envie às superintendências da PF nos estados a lista de emendas que devem ser alvo de inquérito policial.

A necessidade de um plano de trabalho para as emendas Pix foi estabelecida pelo próprio Supremo em 2022, como parte de medidas para garantir transparência e rastreabilidade dos recursos públicos.

Além da investigação, o ministro determinou que o Ministério da Saúde seja notificado a não executar emendas de relator (identificadas pela sigla RP9) que não atendam a critérios objetivos, como a correção de erros ou omissões.

Em abril, Dino já havia bloqueado repasses de 1,2 mil emendas para a área da Saúde devido a irregularidades na abertura de contas específicas para o recebimento dos recursos.

O ministro também ordenou que a Controladoria-Geral da União (CGU) realize, em dez dias úteis, uma auditoria completa nos repasses feitos à Associação Moriá entre 2022 e 2024, priorizando os convênios firmados com o Ministério da Saúde. A entidade é suspeita de irregularidades na execução de verbas públicas.

Dino reforçou que bancos públicos, como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, só podem transferir recursos de emendas por meio de contas específicas para cada uma delas, proibindo o uso de “contas de passagem”.

Para o futuro, o ministro determinou que, a partir de 2026, todos os repasses de emendas sejam feitos exclusivamente por meio das Ordens de Pagamento de Parceria (OPP), um sistema criado para aumentar a rastreabilidade dos recursos.

*Com Agência Brasil

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