Após a pressão do grupo majoritário do PMDB- comandado pelos senadores Renan Caheiros e José Sarney- a presidente Dilma Rousseff assumiu- ela mesma- as relações com o Congresso Nacional, substituindo Romero Jucá por Eduardo Braga no Senado (enfraquecendo Calheiros) e Arlindo Chinaglia, do PT, na Câmara dos Deputados.
As informações são da revista IstoÉ, deste final de semana.
“Na segunda-feira 12, a presidenta Dilma Rousseff teve um encontro com o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), no Palácio do Planalto. Diante da chefe do Executivo, o cacique do PMDB personificava ali a crise na relação do governo com sua base aliada. Mas, apesar de não ser muito afeita ao jogo político, Dilma resolveu inaugurar uma nova fase em sua gestão. Na conversa, de cerca de uma hora, deixou clara sua decisão de, pela primeira vez desde que assumiu o comando do País, avocar para si a responsabilidade pelas negociações com o Congresso. “Quero me reunir mais com os líderes, conversar com vocês com frequência e saber como estão as coisas na Câmara e no Senado”, disse ela. “Faz tempo que os aliados sugerem esse relacionamento mais próximo. É vital para o governo uma nova postura”, ponderou o alagoano. “Pois é. A articulação agora é minha”, concluiu a presidenta”, detalha a revista.
“O diálogo foi um sinal claro de que Dilma não está apenas disposta a decidir sozinha quais são suas peças-chaves no tabuleiro e quem fará parte da sua equipe. Ela está disposta também a pagar o preço das próprias resoluções, para o bem ou para o mal. A conturbada relação entre o governo e seus aliados no Congresso atingiu um ponto crítico na semana passada. Cercada por pressões de caciques e irritada com os sinais de insubordinação vindos de todos os lados, Dilma reagiu. Bem ao seu estilo, trocou os líderes da Câmara e do Senado, sem perguntar o que o mundo político achava disso. Nem Lula, o antecessor e conselheiro para todas as horas, soube. Sinal de um novo tempo no governo? Ao que parece, sim. Trata-se, porém, de uma empreitada complicada”, diz a publicação.
“O senador amazonense e novo líder do governo pertence a uma ala do PMDB que sempre mediu forças com o grupo comandado pelo alagoano. Renan era alinhado com Jucá, o antecessor. Tanto que tratou de acomodá-lo na relatoria de uma das mais poderosas comissões do Senado, a do Orçamento. A decisão foi interpretada como uma forma de Renan demonstrar sua insatisfação e dar o troco”, explica.








