A presidente Dilma Rousseff iniciou a operação para que o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, não seja candidato a presidente da Casa- mas que o espaço seja cedido ao ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, ligado ao atual presidente José Sarney (PMDB).
Problema, segundo o Planalto, é que Renan ainda está sob respingo do escândalo em 2007 que o tirou da Presidência do Senado. Ele foi acusado de ter as contas pessoas pagas por lobista.
As informações são do Correio Braziliense.
“Há uma ideia de que eu deveria voltar ao Senado”, disse o ministro, reforçando que Dilma apoiaria uma possível candidatura. A declaração de Lobão foi dada ontem, durante participação em evento sobre energias renováveis na conferência sobre sustentabilidade Rio+20.
Aliados de Sarney estranharam as declarações de Lobão. Afirmaram que, internamente, ele também tem relutado em aceitar o desafio, preferindo permanecer onde está. Mas afirmam que os passos do ministro serão guiados pelo seu mentor político, não pelos desejos do Palácio do Planalto. “O verdadeiro chefe do Lobão é o Sarney, não é a Dilma. Ele vai fazer o que o maranhense quiser”, afirmou um integrante da bancada do PMDB.
Além disso, uma candidatura construída com o apoio explícito do Palácio do Planalto, sem um trabalho de articulação com os senadores, tende a fracassar. No máximo, o governo pode dar sinalizações e negociar alianças — impor um nome jamais deu certo. “Principalmente no Senado, onde temos parlamentares experientes. Dilma pode nomear quem quiser para o ministério. Mas na Presidência do Senado, só chega quem os senadores quiserem”, vaticinou um integrante do partido.
Vontade coletiva
Para o vice-presidente da República, Michel Temer, essa alternativa precisa ser conversada entre os senadores. Ele fez questão de elogiar Lobão, tanto como ministro quanto como senador, mas lembrou que a candidatura para a Presidência do Senado não depende apenas da vontade da presidente. “A vontade é coletiva, né? As pessoas conversam entre si e se entendem. É isso que vai acontecer.”
Aos poucos, Renan tenta pavimentar sua redenção. Depois de ter perdido espaço político com a destituição de Romero Jucá (PMDB-RR) do cargo de líder do governo no Senado, substituído por Eduardo Braga (PMDB-AM), o líder do PMDB tem vivido um momento de distensionamento com o Planalto. No último mês, foi chamado pelo menos quatro vezes para audiências particulares com Dilma. Nas duas últimas, tratou de questões de segurança e subvenções aos produtores de cana de Alagoas. Mas silenciou sobre os assuntos políticos que foram tratados com a presidente.






