A Polícia Federal cumpriu, nesta terça-feira (08/07), mandados de busca e apreensão no gabinete do deputado federal Júnior Mano (PSB‑CE), na Câmara dos Deputados, como parte de uma operação que apura um esquema de fraudes em licitações e desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares destinadas a municípios do Ceará.
A ação foi autorizada pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e faz parte de um inquérito que investiga a atuação de uma suposta organização criminosa voltada à prática de diversos crimes, incluindo corrupção, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica com finalidade eleitoral e captação ilícita de votos.
Além do gabinete parlamentar, outros 14 mandados foram cumpridos em cidades cearenses — Fortaleza, Nova Russas, Eusébio, Canindé e Baixio — e em endereços ligados a pessoas do entorno político do deputado. Também foi determinado o bloqueio de R$ 54,6 milhões em contas dos investigados, com o objetivo de preservar valores potencialmente desviados e impedir movimentações financeiras ilícitas.
As investigações apontam que o deputado federal teria atuado diretamente na indicação de recursos de emendas parlamentares para prefeituras cearenses, negociando repasses em troca de comissão, em conluio com gestores municipais. O esquema teria envolvido fraudes em processos licitatórios e repasse de recursos públicos a empresas ligadas ao grupo.
O caso teve origem em uma denúncia feita pela Prefeitura de Canindé (CE), que identificou indícios de irregularidades na execução de verbas oriundas de emendas parlamentares. Após a identificação de foro privilegiado de um dos envolvidos — o deputado federal Júnior Mano — o caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal.
Júnior Mano, de 39 anos, está em seu segundo mandato como deputado federal. Foi eleito pelo PL, mas deixou a sigla em 2024 após apoiar um candidato do PT nas eleições municipais em Fortaleza, o que resultou em sua expulsão. Atualmente, integra o PSB. Em 2022, foi o segundo deputado federal mais votado do estado do Ceará, com mais de 216 mil votos.
Até o momento, nem o parlamentar nem sua defesa se manifestaram oficialmente sobre o cumprimento dos mandados. A Câmara dos Deputados ainda não comentou a ação da Polícia Federal em suas dependências.
A investigação segue em sigilo e, segundo a PF, novas diligências não estão descartadas.








