Correio Braziliense
O índice de desemprego nos Estados Unidos atingiu o menor nível desde janeiro de 2009, ao fechar março em 8,2%. O indicador dá um novo fôlego à campanha do presidente norte-americano, Barack Obama, à reeleição. Líder nas pesquisas de intenção de voto, ele preferiu, no entanto, ser comedido nos comentários sobre o mercado de trabalho durante participação no fórum na Casa Branca sobre mulheres e economia. “Nós saudamos as notícias de hoje (ontem). Mas está claro para todos os norte-americanos que ainda haverá altos e baixos ao longo do caminho e que temos muito mais trabalho a fazer.”
A cautela se justifica. De acordo com relatório do Departamento de Trabalho, foram criados 120 mil postos de trabalho no mês passado, o pior desempenho desde outubro. É bem menos que o registrado nos dois primeiros meses do ano. Em janeiro, foram abertos 275 mil postos e em fevereiro, 240 mil. Ou seja, segundo os analistas, há uma desaceleração preocupante na contratação de mão de obra, um evidente sinal de que a maior economia do mundo continua fragilizada. Os especialistas esperavam que a abertura de vagas fosse mais expressiva, entre 203 mil e 205 mil oportunidades.
Diante desse quadro, os economistas acreditam que o Federal Reserve (Fed), o Banco Central norte-americano, dará prosseguimento à política de apoio à atividade, em sintonia com os desejos da Casa Branca de turbinar a produção e o consumo. Na semana passada, o presidente da instituição, Ben Bernanke, questionou se os ganhos recentes de empregos seriam sustentados.
Crítica O relatório de março reforça a estimativa do mercado de que o crescimento da economia tenha desacelerado a uma taxa anual de 2% no primeiro trimestre, ante os 3% registrados entre outubro e dezembro. “Isso deve levar o Fed a continuar a política de afrouxamento monetário. O governo quer ver um número de vagas mensais superior a 300 mil antes de começar a enxergar um cenário mais forte para a economia”, afirmou o economista Sean Incremona, do 4CAST, em Nova York.
Provável adversário de Obama nas eleições presidenciais de novembro, o republicano Mitt Romney não poupou críticas à perda de fôlego do mercado de trabalho. Ele afirmou que as desculpas do presidente “se esgotaram”. “São dados fracos e muito preocupantes, que mostram que a criação de empregos está estagnada”, declarou.
A taxa de desemprego dos Estados Unidos era de 9,1% em agosto. A oferta de vagas cresceu, principalmente, nas áreas de manufaturas, serviços alimentares e saúde. A pesquisa sobre desocupação é feita separadamente dos dados sobre a abertura de postos e o resultado de março estaria muito mais ligado ao fato de que menos trabalhadores procuraram emprego que ao aumento do número de pessoas que conseguiram trabalho. Na última quinta-feira, o Departamento de Trabalho dos Estados Unidos informou que o número de pedidos de auxílio-desemprego no país (357 mil) atingiu o menor nível desde 2008.








