No Estado que lidera em quantidade de analfabetos, falar em oportunidades a quem busca sobrevivência gera um compromisso:
“Reconhecer a escola como uma instituição de referência social, tão importante quanto um posto de atendimento médico ou de policiamento é uma das etapas a serem vencidas.”
Quem diz isso é Pablo Viana, secretário de Ciência e Tecnologia, uma pasta relativamente nova no contexto brasileiro e que tenta convencer gestores e geridos de sua importância.
Na Alagoas com as piores expectativas de vida e morte, a secretaria busca desatrelar sua dependência dos cofres de Brasília.
Vem conseguindo, aos poucos.
Vai entregar um Polo Tecnológico no bairro de Jaraguá; buscará premiar estudantes com inovações tecnológicas.
Como quer fazer isso?
Veja entrevista
As mudanças em Brasília alteraram a execução dos projetos da sua pasta?
Desde o início da gestão, a Secti vêm adotando medidas de evitar a dependência dos recursos federais para a execução de alguns dos seus principais projetos.
Com isso, as mudanças ocorridas no cenário nacional tiveram impacto limitado no âmbito da CT&I em Alagoas.
O governo do estado ampliou sua atuação no fomento à pesquisa através de editais da Fapeal, anunciando R$ 8 milhões esse ano e garantiu os recursos para a conclusão da obra do Polo Tecnológico no Jaraguá, orçada em R$ 15 milhões.
Ainda este ano, o governo federal sancionou o novo marco legal da CT&I, que vêm amparando todas as decisões estratégicas da secretaria, como por exemplo o fortalecimento das parcerias com instituições de ensino superior (ex. Uneal, Ifal e Ufal) ou mesmo com a iniciativa privada (Maceió Shopping), para a realização de eventos.
Ou seja, enquanto a maioria dos estados brasileiros está pleiteando junto ao governo federal interino a derrubada dos 8 vetos da presidenta Dilma Roussef, o sistema alagoano de inovação, composto pelo governo do Estado de Alagoas, prefeitura de Maceió, universidades e empresas de tecnologia vêm trabalhando de forma articulada, na regulamentação local do novo marco legal da CT&I.
Semana passada, sua secretaria discutiu a formação do Centro Interativo de Ciência, Tecnologia e Inovação. Como a criatividade e a inovação podem ajudar um ambiente de pobreza e mão de obra maciçamente desqualificada?
A sociedade alagoana está sendo provocada a repensar a ciência, a tecnologia e a inovação, de forma a permitir que esses conceitos interfiram no nosso desenvolvimento.
Este centro é um espaço de convergência entre saberes, a formação complementar de nossos estudantes, aguçando a curiosidade, o prazer da descoberta e o valor pela produção do conhecimento alagoano.
Um tributo à riqueza científica e tecnológica alagoana, que ainda é muito pouco registrada, apesar do destaque isolado de personalidades por trás dos mais importantes institutos nacionais de ciência e sua produção bibliográfica.
Um convite à parcela excluída da sociedade, que não estão ligados diretamente aos meios de produção, mas que muito podem contribuir na confecção de artefatos científicos e culturais (audiovisual, jogos, aplicativos, protótipos) que serão expostos no centro.
Um ponto de encontro entre acadêmicos, empresários e políticos, interessados em dialogar sobre o passado, presente e os rumos da nossa sociedade.
Por fim, o centro também é uma demonstração aos turistas que nos visitam, de uma parcela desconhecida de nossos valores fundamentais que podem ajudar a potencializar nosso desenvolvimento.
O Centro Interativo de CT&I, será conhecido pelo mesmo nome da feira de ciências “Experiment-AL”, que será realizada este.
Experiment-AL dias 29 e 30 de novembro, no estacionamento do Maceió Shopping. Qual o objetivo da secretaria ao promovê-la?
A Experiment-AL será o primeiro contato que o alagoano terá com o projeto do centro interativo, permitindo conhecer a filosofia do projeto, no tocante ao estímulo dos nossos jovens estudantes em busca do conhecimento científico e sua aplicação.
Serão premiados aqueles trabalhos que trazem em sua apresentação o apelo atraente do público, fazendo com que o cidadão comum consiga facilmente se identificar com seus impactos.
As diretrizes curriculares muitas vezes inibem o fortalecimento de talentos humanos por reservar pouco espaço para a experimentação científica em sua formação básica.
A ideia da Experiment-AL é abrir um novo espaço para os nossos jovens mais criativos e os professores mais motivados, possam extravasar suas contribuições, ou mesmo repensar a forma de fazer educação, sem os limites da sala de aula.
Apesar de liderarmos nos índices negativos no analfabetismo, temos 143 mil alunos inscritos no Enem em Alagoas este ano. O que falta para que os estudantes das escolas públicas sejam tão bons competitivos/criativos quanto das escolas particulares?
As dificuldades enfrentadas pela nossa rede pública de educação vão muito além de diretrizes pedagógicas e curriculares.
Gestores, professores e alunos convivem diariamente com problemas de ordem econômicas e sociais que têm impacto direto no desempenho educacional.
Desde os recursos e instalações da escola até mesmo a estrutura familiar em vulnerabilidade.
Reconhecer a escola como uma instituição de referência social, tão importante quanto um posto de atendimento médico ou de policiamento é uma das etapas a serem vencidas.
Os profissionais e alunos precisam encontrar nesses espaços a presença do poder público, amparando as necessidades desde a orientação básica e participação dos pais dos alunos até sua inserção social como cidadão.
Estudantes das escolas públicas ainda têm aspirações de vida muito distintas daqueles das escolas particulares.
Um grupo participa pela sobrevivência e garantia de direitos básicos assistenciais, aspirando no máximo, conseguir algum emprego no futuro (ou presente).
Enquanto o segundo grupo, segue estimulado pela competitividade de processos seletivos, que possam mantê-los em posição de destaque ou mesmo alcançar posições que lhes garantam novos privilégios.
Como vai funcionar o Polo de TI?
O Polo de TI funcionará através da atividade articulada e harmoniosa dos diferentes setores do governo (federal, estadual e municipal), educação tecnológica e cadeia produtiva de inovação.
Haverá espaço físico para todos os setores desempenharem atividades de colaboração dentro do edifício sede, bem como nas áreas da vizinhança, no bairro do Jaraguá.
O Polo será gerido por um comitê formado pelas instituições (públicas e privadas) e amparado financeiramente pelo Fundo Especial de Desenvolvimento Científico, Tecnológico e de Educação Superior (FUNDECTES).
No espaço do Polo, haverão iniciativas e infra-estrutura voltada prioritariamente para apoiar o desenvolvimento de soluções inovadoras e a viabilidade de negócios que permitam ampliar a produção tecnológica e a geração de oportunidades (emprego e renda) para os empreendedores locais.
