O depoimento de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social, foi marcado por tensão e frustração. A audiência, realizada em 25 de setembro, durou cerca de dez horas e teve poucos avanços concretos nas investigações.
Antunes compareceu protegido por habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal, o que lhe permitiu não responder às perguntas dos parlamentares. Ele declarou que não responderia aos questionamentos do relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), alegando que já havia sido julgado e condenado por ele sem direito de defesa.
A sessão foi interrompida temporariamente após uma discussão acalorada entre o advogado de Antunes e parlamentares. O relator acusou o lobista de ser responsável pelo maior roubo contra aposentados e pensionistas do país, o que provocou reação imediata da defesa. Houve troca de acusações, gritos e intervenção da Polícia Legislativa para conter os ânimos.
Antunes é apontado como um dos principais operadores do esquema que desviou bilhões de reais por meio de descontos indevidos em benefícios previdenciários. Ele é dono de empresas de call center que atuavam na captação de associados para entidades envolvidas nas fraudes. Durante o depoimento, negou envolvimento direto nas irregularidades e afirmou ser apenas um “empresário próspero”.
A CPMI considera o depoimento um dos mais importantes da investigação, mas o silêncio do lobista e os embates políticos acabaram esvaziando as expectativas.








