As recentes revelações do The Intercept Brasil sobre o chamado “Caso Master” provocaram um abalo sísmico no núcleo duro do bolsonarismo, levando aliados próximos ao ex-presidente Jair Bolsonaro a admitir a gravidade das denúncias.
Segundo relatos colhidos pela CNN Brasil, o impacto do episódio é considerado severo o suficiente para forçar a coalizão de direita a retomar, com urgência, as discussões sobre alternativas eleitorais para a sucessão presidencial.
O nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou ao topo das prioridades estratégicas, embora o movimento enfrente resistências internas e obstáculos familiares significativos.
A preocupação central do grupo gira em torno das conexões entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Interlocutores do parlamentar já iniciaram contatos com o entorno do empresário para esclarecer a natureza de eventuais pagamentos realizados à família Bolsonaro, buscando antecipar o tamanho do desgaste jurídico e político.
A avaliação interna é de que o cenário de “estrangulamento” das opções eleitorais se agravou, especialmente porque o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, não pode mais concorrer ao Planalto devido ao encerramento do prazo legal para desincompatibilização do cargo.
Apesar de Michelle Bolsonaro despontar como a alternativa mais viável eleitoralmente, a viabilidade de sua candidatura esbarra no isolamento político dentro da própria família.
Relatos apontam que a relação entre a ex-primeira-dama e os filhos do ex-presidente atravessa o pior momento.
Um termômetro desse distanciamento foi observado durante a posse de Kassio Nunes Marques no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde Flávio e Michelle mal se cumprimentaram, evidenciando uma ruptura que pode dificultar a unidade do partido em torno do nome dela.
Diante da crise, a estratégia adotada pelos aliados do senador é de cautela e contra-ataque.
O grupo aguarda para medir a tração política que a denúncia ganhará nos próximos dias, mantendo a expectativa de que o Caso Master também respingue no entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A aposta dos bolsonaristas reside em possíveis ligações do PT da Bahia com Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, o que, na visão da oposição, poderia equilibrar o jogo político e diluir o foco das investigações sobre a família Bolsonaro.
