O delegado Geral da Polícia Civil, Paulo Cerqueira, combinou com aquele que seria o executor do juiz Marcelo Tadeu que, caso ele fosse capturado, dissesse que a ordem para matar o magistrado foi dada pelo ex-tenente-coronel Manoel Francisco Cavalcante, condenado por ser líder da gangue fardada, organização criminosa que atuava nos anos 90 em Alagoas.
Os detalhes foram dados pelo próprio executor do crime Antonio Wendel de Melo Guarnieri, em depoimento à Polícia Federal.
O plano terminou no assassinato, por engano, do advogado Nudson Harley, que tinha as mesmas características e usava roupa semelhante a de Marcelo Tadeu no dia do crime.
Um dia antes deste assassinato, Guarnieri estava hospedado em um hotel próximo ao local do crime. A despesa foi paga pela Polícia Civil.
No depoimento dele em 8 de junho do ano passado ao delegado Daniel Grangeiro, na sede da PF, Guarnieri conta que combinou o álibi com o delegado Geral da Polícia Civil.
Pelo crime, receberia R$ 100 mil.
Paulo Cerqueira justificou para o executor do crime a morte do juiz: não gostava dele, que ele não servia para nada, que era pai dos vagabundos e fazia mutirão para soltar bandidos.
Marcelo Tadeu era juiz da Vara de Execuções Penais. Polêmico por cobrar dignidade na prisão para os presos, ele extinguiu o regime semi aberto em Alagoas porque as cadeias não tinham condições de abrigarem os presos que trabalhavam de dia para dormirem à noite na prisão
O delegado Paulo Cerqueira foi indiciado pela Polícia Federal como autor intelectual só crime. Ele não quis falar sobre o caso. Mas, em depoimento à PF confirmou que a Delegacia Geral da Polícia Civil – e não ele – pagou a hospedagem de Guarnieri em hotéis e pousadas em Maceió dias antes do crime.
O secretário de Segurança Pública, Alfredo Gaspar, saiu em defesa do delegado Geral, a quem diz ter confiança no trabalho dele.
