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Defensoria Pública suspende ‘tribunal da polícia’ em Alagoas

Repórteres policiais reclamam da decisão judicial, movida pela Defensoria Pública, que proíbe a exposição da imagem de presos durante operações.

Porém, levando em conta a lógica destas mesmas operações, a ação assinada pelo defensor público Othoniel Pinheiro tem amparo na realidade: existem presos, em especial os mais privilegiados, que são poupados do linchamento televisivo e virtual.

Você não assistiu à prisão do ex-deputado que carregava a arma do pai, sem o porte deste arma.

Por que? Porque o histórico policial é humilhar os pobres e exaltar os mais ricos.

Há 14 anos, a Operação Gabiru prendia prefeitos alagoanos acusados de fraudar licitações da merenda.

E existia um movimento da Associação dos Municípios (AMA) contra a exposição da imagem destes prefeitos algemados. E até reação, na imprensa alagoana, ao disparate de se ver homens tão importantes expostos às feras do linchamento.

Porque valia uma prerrogativa bem antiga: homens de linhagem tão sofisticada não poderiam ser enxovalhados.

Porque enxovalhamentos valem para os que não podem se defender: os pobres mal vestidos, desgrenhados, dentes podres, com surtos psicóticos, os “degenerados”- segundo atestam as fallas provinciais escritas há 150 anos.

Existem os nascidos nobres e os ignóbeis.

A polícia e a imprensa policial sabem disso. E escolheram- convenientemente- seu lado.

Para nossa sorte, a Defensoria Pública também.

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