De espírita progressista ao livre pensamento

O desapego continua sendo estrada segura para quem jornadeia na terra, assumindo este compromisso antigo de exercitar autonomia de pensamento em estreita construção política e afetiva com o Espiritismo.

As etapas se sucedem em ritmo normal, abrindo sulcos experienciais, muitas vezes no ego, outras nas emoções e quase sempre instigando amadurecimento.

Não foram poucas as vezes que escrevi sobre as alegrias de seguir em grupos ditos progressistas no meio espírita brasileiro, como resultado de um movimento de apoio mútuo que se efetivou a partir de encontros nas redes sociais entre adeptos das casas espíritas espalhadas por este grande Brasil, que carregavam a dor comum das segregações e decepções com dirigentes apoiadores da necropolítica que afeta o país.

Foi de fato necessário agregar pessoas feridas, e promover fortalecimento entre aqueles que como ponto comum defendiam uma sociedade diversa, plural, sob a orientação da busca por justiça social e direitos humanos, e exatamente por esta razão sentiam-se expulsos do movimento espírita brasileiro que se manifestava à direita, com todos os malefícios que o contexto político apresentava.

Excelente movimento reflexivo, com a intensificação de estudos sob a égide da análise crítica a religar prática espírita com a origem kardeciana, lançou eco e desafiou o instituído a repensar a forma de lidar com as vozes do espíritos, para além das formais apresentações religiosas e mistificadoras.

No entanto, na multiplicidade de linhas de pensamento e diferentes objetivos no campo de atuação política e social, naturalmente se encerram compreensões distintas sobre os processos de vivências coletivas, mesmo no território que se intitula progressista. Como por exemplo, existirem entre estes grupos membros que apoiam a defensiva de direitos sociais e históricos pelas vias da luta radical.

Se em um primeiro momento foi a rejeição ao governo genocida que nos reuniu em uma ampla designação política sob o espectro da esquerda, a etapa subsequente revelou aspectos que nem sempre conciliam entendimento e afinidade.

Permanecendo à esquerda e sabendo que o mestre nazareno é a inspiração da luta transformadora sem o uso da força, seja em quaisquer de suas possibilidades; por isso mesmo o objetivo da nossa militância é firmado sobre a promoção da cultura de paz.

Sem aderir sob hipótese alguma a discursos de ódio, nossos recursos de comunicação se propõem a elevar o pensar e o sentir, almejando um mundo de harmonia e paz mesmo quando somos impelidos à peleja de argumentos em defesa do livre arbítrio, da justiça e da vida.

Por mais que desejemos um mundo novo nós sabemos que a pressa em construí-lo sem obedecer aos processos que lhes são inerentes pode nos encaminhar rumo à incoerência, nos atrasando ainda mais a jornada, que além de política é espiritual.

Progressista é terminologia acolhedora, orientadora de princípios que sugerem a qualificação relacional, e quando associada ao Espiritismo, é aproximação com Kardec, que por sua vez, acrescenta as necessárias revelações do que pode nos tornar espíritos espíritas.

Liberdade no uso do arbítrio e promoção do livre pensar são concessões recebidas da vida e enfatizadas pelos espíritos, para que sejamos também construtores da jornada, onde mérito e crédito por tantas vezes se misturam, sinalizando que nãos seguimos sós.

O desapego pelo desejo de agradar é condicionante da liberdade de pensar e de agir, e agora me utilizo desta benção para afirmar que persigo na inspiração progressista a luz da libertação, e nesta busca o amor é o farol que abre noites escuras com o facho clareador da razão.

Aqui me permito firmar a etapa como livre pensadora espírita, presa unicamente à confiança no amor que renova, buscando Kardec e Jesus na vida, na dor, no irmão e nestas transformações.

2 thoughts on “De espírita progressista ao livre pensamento

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    Ok! Então agora, após esta sua explicação, entendi o seu posicionamento. Fico feliz e até lhe dou um abraço virtual. Talvez o seu primeiro texto (o primeiro que li, não sei se o primeiro escrito) tenha sido feito num momento de raiva ou de grande emoção e me deixou com certa angústia, entretantom lendo este agora, senti uma paz! Estamos de acordo. Abraço fraterno!

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