A rotina de viagens em família, pregações religiosas e o cotidiano ao lado do filho famoso, o rapper Oruam, escondia, segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro, uma função estratégica na engrenagem da maior facção criminosa do estado.
Márcia Gama, esposa de Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, tornou-se o alvo central da Operação Red Legacy, deflagrada nesta quarta-feira (11/3) contra a estrutura nacional do Comando Vermelho (CV).
Com mais de meio milhão de seguidores no Instagram e uma carreira recém-lançada como escritora de livros religiosos, Márcia é descrita pelos investigadores da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD) como uma peça-chave fora do sistema prisional.
De acordo com o inquérito, ela atuaria como “ponte” entre a cúpula encarcerada da facção e os operadores que comandam o crime nas comunidades.
A polícia aponta que sua posição permitia que lideranças como Marcinho VP mantivessem influência direta em decisões estratégicas e na circulação de informações vitais para a organização.
Apesar da ofensiva policial, Márcia não foi encontrada em seu endereço e agora é considerada foragida pela Justiça.
Ela não é a única da árvore genealógica de VP na mira das autoridades: Landerson, sobrinho do traficante, também é apontado como intermediário nos negócios econômicos explorados pelo grupo e segue sendo procurado.
A Operação Red Legacy, coordenada pelos delegados Pedro Cassundé e Vinicius Miranda de Moraes, expõe a sofisticação da rede de apoio da facção, que mistura influência digital e laços familiares para garantir a sobrevivência do comando nas ruas.
Até o momento, a ação já resultou em seis prisões, incluindo uma figura do cenário político carioca: o vereador Salvino de Oliveira Barbosa (PSD).
Com o apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), a Polícia Civil continua as buscas para desmantelar o que restou dessa rede de comunicação e logística financeira que atravessa as grades dos presídios federais.








