Não há indício formal de que a Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos vai revogar a Lei 11.340, ou Maria da Penha, como tem afirmado as postagens que viralizaram nas redes sociais – que por sinal, já não deixam os brasileiros estupefatos, pois a própria Damares se esforçou bastante para se tornar uma das figuras mais caricatas desse governo de caricaturas ministeriais.
Contudo, o esforço em não reproduzir notícias falsas, tem feito parte do leque de posturas éticas dos defensores de um Brasil democrático, e antes de compartilhar uma notícia como essa, sempre é válido fazer checagem.
Se Damares foi vítima de má fé, com relação a esta afirmação, não podemos eximir Bolsonaro de ter influenciado no aumento de todos os tipos de violências contra corpos femininos.
Há muito tempo um dos seus hobbies foi perseguir Maria do Rosário, que foi Ministra dos Direitos Humanos e vítima de inúmeras notícias falsas; atuando como deputada chegou a ser abordada por Bolsonaro na frente das câmeras, que a chamou de “vagabunda” e disse que sequer merecia ser estuprada, como se alguma mulher quisesse merecer isso!
O incentivo ao uso de armas, discursos antifeministas e de banalização da vida, são comuns no Brasil contemporâneo e capitaneados pelo presidente. Que internacionalmente é conhecido como misógino, entre outras desqualificações, para um homem público.
Deste modo, em 2019 os dados não são animadores para nós mulheres brasileiras.
Segundo o Dossiê Mulher 2019, a cada 24 horas 12 mulheres são vítimas de estupro no Brasil. A estimativa de que a cada 2 horas uma mulher é vítima de feminicídio, está agregada a requintes de crueldade nestas dizimações de gênero.
Os tristes índices pedem posicionamentos supra-religiosos, humanitários, cidadãos, na implementação de políticas de combate ao feminicídio, estupros e toda sorte de violências contra mulheres; no entanto, independente da negativa de Damares relativamente ao fim da Lei Maria da Penha, ela faz parte de um governo que reforça esterótipos femininos cristãos-evangélicos, afetando a representatividade política e cidadã de todas as mulheres brasileiras, que são diversas e acobertadas pelas leis do país para se expressarem livremente na sociedade.
Bolsonaro normalizou o machismo e a misoginia, e Damares tem sido utilizada com seu consentimento e gosto para teatralizar no palco das aberrações, em um governo que retira direitos e garantias, afetando desde a espécie humana, fauna e flora, aos ecossistemas submarinos do país. Enquanto isso, alguém está matando mais uma mulher e em breve tempo estuprando outra.
Por essa razão, Damares não nos representa! Pelas nossas vidas e integridade física e emocional, precisamos estar cada vez mais conscientes dos riscos que corremos. Lutemos por políticas que beneficiem mulheres!





