As lideranças do Partido Liberal (PL) e a bancada parlamentar bolsonarista adotaram uma postura de distanciamento estratégico diante da recente escalada de tensões na família Bolsonaro. Em grupos de WhatsApp e reuniões de corredores no Congresso, o clima é de silêncio absoluto: não há movimentos de defesa explícita nem ao senador Flávio Bolsonaro nem à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Essa cautela reflete uma insegurança generalizada sobre o futuro político do grupo. O temor é que, sem uma liderança familiar coesa, os políticos da base precisem seguir em “carreira solo” nas disputas locais, aumentando o risco de derrotas frente à máquina federal.
O estopim: Michelle e o “Efeito Tarcísio”
O desconforto no PL cresceu após Michelle publicar no Instagram um vídeo do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticando a gestão fiscal do governo Lula. O gesto foi interpretado como uma afronta direta à pré-candidatura de Flávio ao Planalto, anunciada pelo próprio senador em dezembro sem consulta prévia a Michelle ou à cúpula do partido.
A movimentação de Michelle ganha peso com o apoio de Cristiane Freitas, primeira-dama de São Paulo, que defendeu publicamente um “novo CEO” para o país — comentário que recebeu o aval (curtida) do governador. Nos bastidores, aliados de Bolsonaro avaliam que Michelle está insatisfeita com o “atropelo” de Flávio no lançamento de sua candidatura e que ela pode estar pavimentando um caminho alternativo.
Pesquisas pressionam a “unidade”
O pano de fundo dessa disputa familiar é puramente estatístico. Pesquisas recentes, como a Genial/Quaest e a Meio/Ideia divulgadas nesta semana, mostram cenários distintos para a direita:
-
Competitividade: Tarcísio de Freitas aparece como o nome mais forte para enfrentar Lula, chegando ao empate técnico em algumas simulações de segundo turno (44,4% a 42,1%).
-
Desempenho de Flávio: O senador mantém uma base sólida (cerca de 26% a 30% das intenções no primeiro turno), mas apresenta uma rejeição maior e uma desvantagem mais ampla contra o atual presidente no confronto direto.
Nesta terça-feira (13), Flávio Bolsonaro tentou minimizar a crise, afirmando que “confia na lealdade” de Tarcísio e que o governador dará apoio à sua candidatura no momento oportuno. No entanto, para os caciques do PL, o movimento do senador foi precipitado e pode ter rachado a base antes mesmo da pré-campanha começar oficialmente.
