Rubem Azevedo Lima-Correio Braziliense
Apesar das concessões generosas de alguns milhões de dólares feitas pela presidente brasileira a Cuba, pode-se dizer que Dilma não conseguiu do governo cubano a menor retribuição: a licença dos irmãos Castros para uma dissidente do regime dominante no país poder vir ao Brasil. Pessoalmente, para conseguir tal licença, Dilma deu a Yoani Sánchez, por antecipação, visto diplomático para ela visitar o Brasil, mas os Castros, vejam só, quanta grosseria: não lhe concederam visto de saída.
Os governantes cubanos não retribuíram o favor que lhes fez Lula ao entregar os dois pugilistas de Cuba, desejosos de saírem do Brasil para outro país que não o deles de origem. No caso, Lula repetiu o feito do ditador Vargas, que entregou Olga Benário, judia, russa, comunista e grávida, aos nazistas, durante a Segunda Guerra Mundial. Felizmente, esses pugilistas fugiram para a Alemanha democrática. Será que os Castros pensam estar protegendo a dissidente Yoani do governo brasileiro?
Dilma não é Hitler. Pelo contrário, ela foi vítima da ditadura de 1964. Foi presa e seviciada na prisão por um regime quase igual ao cubano, que não hesitava em recorrer a meios draconianos contra os que não o apoiassem. Indaguemos a Francelino: Que país é Cuba? Aquele que fez com a presidente Dilma acertos vantajosos e úteis ao povo cubano, que poderiam, também, ajudar o Brasil a combater nossa pobreza? Afinal, que país é Cuba? Aquele cujos governantes, os irmãos Castros, batem, como crianças, o pé no chão para castigar a jovem dissidente Yoani, sem liberdade de ir e vir, sob ameaça de prisão a qualquer hora.
Os Castros estão fazendo tudo o que não deviam para proteger um regime injusto contra uma jovem que só quer liberdade — o que todos que os apoiam, com certeza, também querem. Os brilharecos esportivos de Cuba não compensam os riscos de prisão, o medo que todos vivem ali, como viviam, sob as velhas ditaduras tipo Fulgêncio Batista, do jogo, da prostituição e da corrupção. Era impossível até sonhar o que sonhou Dilma e sonham, hoje, todas as Yoanis.








