Lucrar com as crises que provoca, é da essência dos sistemas opressores. A classe dominante brasileira, aprendeu esta lição desde os tempos da colonização violenta que marca nossa história.
Os colonizadores das mentalidades, na contemporaneidade, também sabem aproveitar as crises para fortalecer interesses próprios e de suas castas.
Alagoas, que até hoje tem caminhado rente ao atraso, seja em economia, educação, cultura, cidadania e mentalidades, conserva o arcaísmo descarado como método de fantasia coletiva, sem resolver problemas pontuais; gerando outros, enquanto torna seus ricos ainda mais ricos.
A saga de fortalecimento dos tucanos alagoanos, adota esse método.
Fere a coletividade em seus interesses e necessidades essenciais, como a baixa empregabilidade, parca mobilidade social, e os índices despencados que representam ausência de soluções societárias, quase absolutas.
No entanto, o governo continua ganhando com isso. Ressalte-se, é o único que consegue ganhar com a miséria social que nos subjuga.
Enquanto a violência que ultrapassa o simbólico se materializa em nossos corpos, matando-nos, o governo brinca de casinha, implantando soluções midiáticas, nas quais insiste em nos convencer de que a realidade não existe, e apenas aquilo que ele próprio aponta é substancial.
Surdo aos apelos da sociedade, divulga dados que não se confirmam no cotidiano das gentes, em nossas vidas postas na mesma berlinda mortal.
Desacostumado a trabalhar com o povo, investe forte na representação das cúpulas, transformando lutas políticas em benefício da vida, em joguetes programados nas cadeiras de veludo do seu gabinete.
A definição do tabuleiro político local é aterradora! A morte ganha sempre, enquanto a vida, transformada em mero objeto de barganha, assume cada vez menos utilidade, pois a massa desqualificada que proliferamos, assume por si, a capacidade de reproduzir braços, se não para o trabalho, seguramente, para o voto!
O caos estebelecido clama por mobilidade. Destemor. Assunção das responsabilidades políticas de cada setor, segmento, representação.
Todo marasmo se transforma em conivência com o desmonte da sociedade democrática e de direitos sobre a qual discursamos, quando convém.
Se não formos nós, alagoanos, a salvar nossa pele coletivamente, continuaremos servindo de mote para os ricos lucrarem com a crise que nos abate, literalmente falando.
Brasília estará a serviço do poder instituído, e não será tábua de salvação para nossa juventude e infância. Essa causa é nossa. A ancestralidade nos deixou exemplos de luta e resistência, para que chegássemos até aqui com a capacidade de pensar novas formas de políticas, contudo, se a nossa opção for partilhar migalhas de direitos, em diálogos servis com os poderes, continuaremos no ponto em que estamos, com sérias tendências a piorar um pouco mais, a cada pleito eleitoral.