A Polícia Federal decidiu suspender a posse da delegada Tatiana Alves Torres como oficial de ligação nos Estados Unidos, em meio ao agravamento da crise diplomática entre Brasília e Washington.
A nomeação, formalizada em março para o posto em Miami, agora não tem data para ocorrer devido à expulsão de seu antecessor, o delegado Marcelo Ivo Carvalho, pelas autoridades norte-americanas.
O governo dos Estados Unidos alega que o agente brasileiro atuou de forma irregular no monitoramento que levou à prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, condenado a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e que atualmente busca asilo em solo americano sob alegação de perseguição política.
Em uma resposta direta e imediata, o Itamaraty anunciou nesta quarta-feira (22) a aplicação do princípio da reciprocidade, determinando a interrupção das funções de um representante norte-americano de área homóloga em território brasileiro.
O Ministério das Relações Exteriores criticou duramente a postura dos EUA, classificando a expulsão do delegado brasileiro como uma “decisão sumária” que ignora a boa prática diplomática e o diálogo construído em mais de 200 anos de relação.
Segundo a chancelaria brasileira, Washington não buscou esclarecimentos nem respeitou o memorando de entendimento bilateral que regula a cooperação policial entre as duas nações.
O conflito escalou após o governo norte-americano declarar publicamente que nenhum estrangeiro pode “manipular o sistema de imigração para contornar pedidos de extradição”.
Ramagem, ex-chefe da Abin, foi detido em Miami após uma infração de trânsito, momento em que se descobriu que seu visto havia sido cancelado.
Embora a Polícia Federal brasileira tenha afirmado que a prisão resultou de cooperação internacional, o Departamento de Estado americano interpretou a atuação do delegado Marcelo Ivo como uma tentativa de estender perseguições políticas ao seu território, resultando na ordem de saída do país que agora trava a renovação do corpo técnico da PF nos Estados Unidos.
