Texto escrito em 15/09/08, aniversário de 14 anos de Alexystaine Laurindo.
A sociedade em luta pela manutenção da imagem pura, com discursos bem elaborados, enfeites na fachada dos sepulcros caiados. Frases de efeito, como Democracia, Liberdade e Respeito, repetidas para convencer a população e conter possíveis convulsões, causadas pelas necessidades de melhores situações existenciais.
Em seu núcleo corrompido, crimes de todas as denominações, ocorrem no dia-a-dia sem pano de fundo, onde a tortura garante espaço com crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos. Herança maldita do passado truculento, onde política e mando entrançava interesses das elites na ocupação de todos os espaços de poder, inclusive a própria mente humana, transformada em plataforma de gestão de idéias anti-vida.
Executada por diversas categorias de indivíduos, a tortura encontra seu suporte na força bruta. Contudo, tal ocorrência se tornou corriqueira entre agentes de segurança pública, como guardas municipais e policiais, dirigidas à população mais vulnerável. Os danos são imprevisíveis, deixando como única certeza, a dor. A sociedade, como reage diante do crime de tortura?
A condução da opinião do senso comum, anestesia a revolta, insulando alguns focos, reduzidos ao núcleo familiar e amigos próximos das vítimas. A marginalização da vítima tem sido o recurso mais utilizado por tais agentes, que detém, inclusive, a legitimação dos registros feitos a bel prazer. O acúmulo de perdas torna-se demasiado para possíveis contestadores dessa ação, que é criminosa na íntegra, e passa a ser legítima nas vias burocráticas.
O aporte da justiça, qual tem sido? A esperança de combater o crime sem precisar cometer um novo crime, passa pelas vias da denúncia, da prova, da dinâmica que envolve o interesse da vítima e a defesa do acusado. Mas para essa dinâmica se efetivar, a justiça precisa atuar. E quando ela não atua? Quando a vítima acumula os danos causados pela tortura mais aqueles causados pela indiferença do sistema? Qual resposta satisfará essa sede e essa fome de cidadania ativa?
Não reproduzimos as lamúrias, apesar de elas existirem e ecoarem nos fossos da miséria da anti-cidadania alagoana. Analisamos as relações desajustadas, mantidas pelo corporativismo institucional, indicando a responsabilização de homens públicos pela caótica manifestação da tortura em Alagoas.
Aos cidadãos comuns, que ainda acreditam que isso só ocorre com bandidos, nossos votos de que jamais vivenciem o desprazer de serem confundidos com um; pela cor da pele, pelo tecido da roupa, ou simplesmente, por estar caminhando nos calçadões da cidade. Aqui, tudo se tornou possível, menos a punição do crime de tortura