CPI Mista pede quebra de sigilo em processos de Cachoeira

Lewandowski é relator no STF dos inquéritos resultantes das operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal, que indicam uma “organização criminosa” comandada por Cachoeira

Agência Brasil

A reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira decidiu nesta quinta-feira pedir ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski a suspensão do segredo de Justiça dos inquéritos sobre o empresário goiano Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Os deputados e senadores querem também a indisponibilidade dos bens dele. Cachoeira está preso em Brasília sob suspeita de envolvimento com jogos ilícitos.

Lewandowski é relator no STF dos inquéritos resultantes das operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal, que indicam uma “organização criminosa” comandada por Cachoeira.

A CPMI fez, ainda nesta quinta-feira, uma reunião administrativa para votar requerimentos, em razão dos adiamentos dos depoimentos dos procuradores da República Daniel Salgado e Léa Batista de Oliveira, que deverão ocorrer depois de 31 de maio.

Governadores

Durante a tarde, a CPMI do Cachoeira livrou, ao menos por enquanto, governadores e parlamentares da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico e de serem convocados a explicar suas relações com Cachoeira. A empreiteira Delta, apontada pela Polícia Federal como braço financeiro do esquema, também não terá seus sigilos quebrados nacionalmente, “por falta de indícios”. A CPMI também livrou, em um primeiro momento, o presidente licenciado da empreiteira, Fernando Cavendish. Os deputados e senadores aprovaram apenas a quebra do sigilo da empresa Delta na região Centro Oeste, além dos sigilos de pessoas sem foro privilegiado que assessoravam Cachoeira e já foram investigadas pela Polícia Federal.

A votação, comandada pelo PT e PMDB, levou o relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), a evitar a votação dos requerimentos acerca dos governadores e da Delta nacionalmente. Esses requerimentos somente entrarão em pauta no dia 5 de junho.

– Nós não vamos fazer devassa – afirmou o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), ao que completou, diante dos jornalistas, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP): “A generalização cheira a devassa”.

A maior polêmica do dia, no entanto, ficou por conta do comando da CPMI, que resolver não quebrar os sigilos da Delta em todo o país. O relator e parlamentares do PT e PMDB afirmaram que não existem indícios contra a atuação da empresa em todo o país, o que gerou protestos.

– Estamos passando vergonha aqui. A Delta recebeu mais de R$ 4 bilhões do governo federal e não vamos quebrar o sigilo da empresa? Como vamos explicar isso ao Brasil? – afirmou o deputado Fernando Francischini (PSDB-PR).

O relator e deputados do PT e PMDB, no entanto, negam um acordão para poupar alguns das investigações.

– Não vamos resumir nossos trabalhos em apenas uma reunião – disse Odair Cunha.

Já o deputado Teixeira foi mais enfático:

– Eu não participei de acordão nenhum. Temos que ter serenidade.

Ex-diretor

A CPMI do Cachoeira também aprovou a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico do ex-diretor da empresa Delta Construções na Região Centro-Oeste Cláudio Abreu. Investigado pela Operação Saint-Michel, da Polícia Civil do Distrito Federal, Cláudio Abreu também está preso, desde o final de abril. A ação é um desdobramento da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que, junto com a Operação Vegas, investigou o suposto esquema criminoso comandado por Cachoeira.

Também foi aprovada na sessão desta quinta-feira a convocação do sobrinho de Cachoeira Leonardo de Almeida Ramos, apontado no inquérito como comprador da casa do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). O plenário da CPMI também aprovou mais 77 requerimentos de convocação de pessoas suspeitas de envolvimento com os negócios ilegais de Cachoeira.

A CPMI também aprovou a quebra de sigilo de Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, um dos principais auxiliares de Cachoeira. Dadá foi preso durante as investigações da Operação Monte Carlo, que também resultou na prisão de Carlinhos Cachoeira. Os membros da comissão também aprovaram um pedido à Polícia Civil do Distrito Federal de cópia do teor completo dos autos do inquérito da Operação Saint-Michel.

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