Não é inocente o silêncio da bancada federal alagoana sobre os cortes anunciados pelo Governo Lula no Bolsa Família.
E é preciso falar sobre este assunto. Incomoda? Sim. É mentira? Não, não é. E por ser real e pregado por uma administração de centro-esquerda é que as condições são ainda mais dolorosas.
Os recursos federais abastecem quase todos os lares mais pobres dos alagoanos. Incluindo o Bolsa Família e o BPC. Fiscalizar a aplicação destes recursos é uma coisa; a outra é construir instrumentos que burocratizem ainda mais o acesso do dinheiro aos que mais precisam.
Porque um dos gargalos do dinheiro público está, por exemplo, na Assembleia Legislativa alagoana onde há anos existe uma biblioteca sem um único livro e consumindo dinheiro público.
E uma escola legislativa fantasma sem alunos e professores. Mas com dinheiro garantido. Uma farra.
Por que o Bolsa Família e o BPC precisam ser criminalizados num país cuja herança escravocrata e escravagista olha os pobres como gente que deveria trabalhar em troca de cachaça?
E um legislativo que paga por órgãos fantasmas é exaltado?
Por que Lula não consegue revisar os generosos incentivos fiscais para empresas que destroem o meio ambiente? Cometem crimes na mineração?
Calados, os deputados federais alagoanos mostram de qual lado estão. Garantem os próprios benefícios- e o resto do povo que more na lama, como sururu.
O gesto de Pilatos é tão moderno quanto o espirito anti-povo.
