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O corpo do antropólogo Gilberto Velho foi velado na tarde deste domingo. Pelo menos 50 pessoas estiveram na cerimônia, que aconteceu na capela 3 do Cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul do Rio. O corpo do antropólogo, que morreu dormindo na madrugada de sábado, será cremado na segunda-feira, no Cemitério São Francisco Xavier, na Zona Portuária do Rio.
Em nota, a presidente Dilma Rousseff lamentou a morte do acadêmico, e “pesar aos seus familiares e amigos neste momento de tristeza”:
“A triste perda do antropólogo Gilberto Velho deixa uma lacuna no trabalho coletivo de se pensar o nosso país. Suas pesquisas enriqueceram as ciências sociais e deram contribuição fundamental para o entendimento do Brasil contemporâneo”, diz trecho da nota.
Gilberto Velho tinha 66 anos e dormia em seu apartamento, em Ipanema, quando sofreu um AVC. Gilberto apresentava problemas de cardiopatia, era divorciado e não deixa filhos.
Para o antropólogo Roberto DaMatta, a morte de Gilberto Velho deixa uma lacuna nos estudos sobre os fenômenos urbanos, como a violência e a constituição da sociedade moderna.
— Como orientador, ele ajudou a concluir muitas teses importantes para a ciência. Tinha uma sabedoria muito grande e, além de grande acadêmico, era meu amigo — contou.
Vice-presidente da Associação Brasileira de Antropologia, Luiz Fernando Duarte é categórico ao dizer que Gilberto é um dos fundadores da antropologia urbana no Brasil, ciência que trouxe de seus estudos nos Estados Unidos:
— A antropologia era muito caracterizada pelo estudo das sociedades indígenas. Gilberto colocou em questão assuntos como o consumo de drogas e a sensualidade.
Em 2000, o antropólogo Gilberto Cardoso Alves Velho alcançou um feito inédito na sua profissão: tornou-se o primeiro de sua área a ingressar na Academia Brasileira de Ciências. O fato chamou a atenção para a relevância de um acadêmico que publicou obras clássicas da antropologia urbana brasileira, como “A utopia urbana: um estudo de antropologia social” (1973) e “Individualismo e cultura: notas para uma antropologia da sociedade contemporânea” (1981).
Atualmente, Gilberto era professor titular do Departamento de Antropologia do Museu Nacional, da UFRJ. Em 2000, foi agraciado com a Grã Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico. No ano anterior, já havia ganhado a Comenda da Ordem de Rio Branco.
Nascido no Rio, Gilberto graduou-se em ciência sociais pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, da UFRJ, em 1968. Em 1970, ele se tornaria mestre em antropologia social pela mesma faculdade. Um ano depois, se especializaria em antropologia urbana e das sociedades complexas na Universidade do Texas, nos Estados Unidos. Em 1975, concluiria o doutorado em ciências humanas pela Universidade de São Paulo.
Gilberto Velho foi presidente da Associação Brasileira de Antropologia (1982-1984), presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (1994-1996) e vice-presidente da Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência (1991-1993).