Num país com milhões de desempregados, outra porção dependendo de bicos para sobreviver e outros tantos na informalidade em busca de formas para continuar comendo, onde estarão estas pessoas no dia que o Brasil parar por causa do coronavirus?
Raul Seixas até imaginou, com certo romantismo, o dia em que a Terra pararia. E ninguém sairia de casa.
Órgãos públicos e privados fecham as portas aos poucos. Prefeitos, governadores, juízes ficarão em casa. Será o home office.
Cobradores e motoristas de ônibus terão de se manterem nas ruas, em contato, sem máscara nem álcool em gel com quem saia de casa, nem que seja para ir ao hospital pelo teste ou tratamento do vírus.
Como eles ficam?
E os plantadores de arroz, feijão, criadores de porcos, galinhas, bois? A quem eles vão vender seus produtos, se os estabelecimentos comerciais estarão vazios?
E quem trabalha por produção, numa loja de shopping, local de obrigatória aglomeração de pessoas?
Discussão de Alexandre Haubrich, num artigo para o Brasil de Fato. Veja trecho:
“O cancelamento dos eventos esportivos, por exemplo. Quantos trabalhadores e trabalhadoras têm seus parcos ganhos vinculados ao entorno dos grandes jogos? Donos e funcionários de bares, guardadores de carro, funcionários contratados por empreitada pelos estádios, vendedores ambulantes… a lista é grande. Outro exemplo são os trabalhadores de aplicativos de transporte. Eles só recebem se trabalham, e carregam em seus veículos dezenas de pessoas todos os dias, em um pequeno espaço. Que segurança o mundo do trabalho oferece para esses trabalhadores? Que segurança o Estado garante para eles?”








