Condenação de Bolsonaro provoca atrito entre Brasil e EUA

A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) gerou reações nos Estados Unidos. O presidente Donald Trump expressou surpresa e descontentamento com a decisão, traçando um paralelo com sua própria trajetória política. “É muito parecido com o que tentaram fazer comigo, mas não conseguiram”, afirmou Trump.

O julgamento, que condenou Bolsonaro por cinco crimes, incluindo tentativa de golpe de Estado, pode acirrar as tensões entre Washington e Brasília. A ameaça de medidas contra o governo brasileiro foi reforçada pelo secretário do Departamento de Estado dos EUA, Marco Rubio.

Ele prometeu uma “resposta adequada” ao que chamou de “caça às bruxas” e criticou o ministro Alexandre de Moraes, a quem chamou de “violador de direitos humanos”.

O Itamaraty, por sua vez, rebateu as declarações, defendendo a independência do Poder Judiciário brasileiro.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que o julgamento respeitou o amplo direito de defesa e que as instituições brasileiras responderam ao golpismo.

O órgão também declarou que continuará “a defender a soberania do País de agressões e tentativas de interferência, venham de onde vierem”.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que se mudou para os EUA, disse esperar que novas sanções sejam aplicadas por Washington contra as autoridades brasileiras.

Em entrevista à agência Reuters, ele alertou que todos os ministros do STF que votaram pela condenação de seu pai podem ser sancionados sob a Lei Magnitsky, que já foi aplicada contra o ministro Alexandre de Moraes.

Bolsonaro é o primeiro presidente do Brasil a ser condenado por tentativa de golpe de Estado. Além disso, ele responde por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado pela violência e ameaça grave e deterioração de patrimônio tombado.

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