Como cientista social dediquei a cada dia dos últimos quatro anos o empenho nas análises sobre o vasto material de estudo encontrado na sociedade brasileira, na qual estou inserida e atuo como cidadã.
Não foi possível uma conclusão, porque seguimos debruçando olhares sobre ângulos novos. Mas já podemos compreender muitas características, fazer associações históricas e localizar interesses. Dentre o farto apanhado, confesso minha inclinação pessoal pelo estudo dos fatores de crenças neste recorte político e histórico do Brasil bolsonarista.
O cristofascismo é muito instigante para o senso de pesquisa. Porque temos a conjugação de um perfil humano que se acredita modelo de vitória acima dos vícios que condena, assumindo com fascinação outros vícios, muitos deles ainda mais condenáveis do que aqueles mais comuns, porque chegam a afetar multidões.
Modelinho básico: o cristofascista espuma de ódio acusando o ladrão de celular que o líder deles afirmou ter existido ao atribuir ao candidato Lula a façanha de estimular um furto (mentir em público é forte característica de Bolsonaro) mas por outro lado, não se aborrece e até compactua com a indústria do enriquecimento imobiliário da família Bolsonaro, que compra imóveis milionários com dinheiro vivo, que todos sabem representar ilícito.
A moral cristofascista é seletiva, e instiga emoções odiosas sobre fatos comuns enquanto mistifica grandes crimes, desde que estes sejam cometidos por seus clãs de adoração.
Muito associada aos estímulos da teologia da prosperidade, esta personalidade radiante desfila elegância, mas não sente pudor do descaramento violador, como por exemplo, estupros, pedofilias, machismo e misoginia, assim como racismo e homofobia; estes são temas banalizados, sobre os quais fazem piadas em louvor de uma mentalidade aversa ao politicamente correto.
Todas as adesões aos discursos sobre famílias se resumem às suas próprias. Que costumam manter sob violenta regência, não permitindo ou sequer tolerando comportamentos autônomos entre os membros, porque não vivenciam relações respeitosas em nenhum nível.
Deus é um selo valorado socialmente para respaldar o que fazem, e sua fé possui características de pura vestimenta classista. Este tipo de cristão muito espalhado pelo país, amordaça Deus e o engarrafa para vender, manipulando mentes e incendiando emoções, por isso mesmo, recebem o estigma de perigosos.
Eis um recorte simples da base fiel bolsonarista.
São imunes aos apelos do verdadeiro amor porque militarizaram a salvação e assumiram o porte de venda para entrada no céu.
Podem ser chamados de doentes? Não. São elementos performáticos da mesma estrutura de poder que elenca outras maneiras de opressão e manipulação em nosso país.
Porém, assim como o fogo faz crescer as labaredas ao receber materiais inflamáveis, o cristofascismo foi alimentado pelo bolsonarismo com força histórica que pede para ser contida agora, neste exato instante das eleições presidenciais, sob o risco de tomar para si outras vertentes de influência que afetem milhares de vidas divergentes dos seus parâmetros.
O caráter punitivo de consequência letal que os fanatismos religiosos concentram nunca deve ser subestimado.
Sabendo disso, os bons religiosos e aqueles que precisam de liberdade de crença para atuarem em uma sociedade tão plural e diversa como a nossa, devem atentar para o voto e contribuir para o retorno do presidente Lula.
Não podemos arriscar o fortalecimento político da base cristofascista pela segunda vez no mesmo período histórico.
Ouça o Deus livre e libertador que orienta seus princípios amorosos.
Não dê ouvidos ao cristofascismo.
Vote pela pluralidade de crenças religiosas!
