A sabatina de Rodrigo Janot, que durou dez horas e acabou na recondução dele à Procuradoria Geral da República, mostra que a corrupção brasileira não é centralizada a estados ou “tipos genéticos inferiores”.
A Operação Lava Jato, aliás, aponta que tanto o PSDB quanto o PT, assim como o PP, preservam seus quadros citados no esquema, jogando a lama do pré-sal uns sobre os outros.
O livro ‘A Privataria Tucana’ é exemplo deste silêncio voluntário. Porque o pau que bate em Chico- expressão citada por Janot- não bate em Francisco, prevalecendo o espírito corporativo.
As instituições se protegem.
A corrupção não está em Alagoas, não está em São Paulo, não está em Brasília.
Na Europa, o prejuízo com ela, em 2013, foi de 120 bilhões de euros.
O quê a sabatina nos mostra, além de senadores acusados na Lava Jato arguirem Janot, aquele que os denuncia?
Em abril, a presidente Dilma Rousseff sancionou o aumento do fundo partidário. Saiu de R$ 289,5 milhões para R$ 867,5 milhões.
Oposição ou governistas não protestaram.
O ajuste fiscal federal cortou R$ 21 bilhões da saúde e educação…
A Operação Zelotes, na Receita Federal (silenciada pelos grandes jornais), mostrou desvios que podem chegar a R$ 19 bilhões…
A Taturana em Alagoas apontou o sumiço de R$ 300 milhões, via folha de pagamento, na Assembleia Legislativa. E um dos chefes da Organização Criminosa (termo da Polícia Federal), o deputado Antônio Albuquerque, foi reeleito, virou vice-presidente da Casa e hoje tem a irmã, Rosa, no Tribunal de Contas.
A corrupção não é irônica; a alma humana, sim.
Mesmo uma reforma política não é capaz de eliminar a corrupção. Porque existe uma combinação bem mais complexa que com os russos: o eleitor.
E os eleitores ocuparam as redes sociais nesta quarta-feira, 26, com palavrões, à procura de heróis, caçando vilões ou simplesmente despertando a xenofobia: taxavam o Nordeste como a região que mais despejava corruptos em Brasília.
Eis a negação da nossa democracia. O Brasil é uma democracia classista, onde quem é citado em escândalos de corrupção recebe a proteção dos pares.
E há brasileiros assistindo a este parasitismo. Talvez sonhando com o dia em que os viscos do poder alcancem sua própria pele…