Repórter Nordeste

Com presídios em crise, Governo pede ajuda a empresários

A crise no sistema prisional de Alagoas- com ameaça de intervenção federal e um pedido de implosão do maior presídio do Estado- o Baldomero Cavalcanti- ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira: o governador em exercício, José Thomáz Nonô (DEM) propôs a empresários de Alagoas que contribuam nas reformas do sistema prisional- como a recuperação imediata de 48 celas.

Nos pedidos, materiais como insumos gerais, ferragens, hidrossanitários e elétricos.

Thomaz Nonô também esteve reunido, na terça-feira (3), com representantes de faculdades e dos estudantes, com quem foi discutida uma proposta de mutirão entre Governo e sociedade civil para reestruturação física do presídio e melhoria da assistência a população carcerária.

“O projeto do Governo foi muito bem recebido pelas instituições. Fico muito feliz de ver o engajamento destes setores importantes da sociedade, para contribuir com a ressocialização dos presidiários, proporcionando serviços de apoio jurídico e assistência à saúde”, disse.

Durante a reunião, o presidente da Federação das Indústrias de Alagoas (Fiea), José Carlos Lyra, garantiu um gabinete dentário.

A Faculdade Estácio de Sá anunciou a doação de cinco computadores para o sistema penitenciário; a Limpel se prontificou a fazer a limpeza do Baldomero.

“A situação do sistema prisional é preocupante. O Governo trabalha pa
Na semana passada, a Justiça de Alagoas pediu a interdição e a implosão do presídio Baldomero Cavalcanti, o maior do Estado, por oferecer risco a presos e funcionários.ra dar uma resposta em curto prazo. Já discuti a questão com o juiz da vara de execuções penais, Braga Neto. A ideia do mutirão é prestar serviços emergenciais com ações pontuais que resgatem a dignidade da população carcerária. Os presentes abraçaram a iniciativa, cientes do papel social que ocupam e da importância desta ação. Estou muito feliz, impressionado com o engajamento da sociedade civil. Todos se prontificaram a colaborar neste processo que atinge a sociedade alagoana. A resposta dos segmentos convocados para discutir junto com o Governo o sistema penitenciário foi a melhor possível”, disse Nonô.

Três detentos conseguiram fugir e invadir a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) – que funciona ao lado da unidade prisional, em Maceió.

No presídio, o telhado está comprometido; uma das cozinhas – de tão suja – foi interditada; o esgoto corre a céu aberto e a comida distribuída aos presos é de má qualidade e contaminada. Há ainda lixo acumulado em várias partes do presídio e até pneus abandonados – local propício à reprodução do mosquito da dengue. O Baldomero Cavalcanti está superlotado: tem capacidade para 460 presos, mas hoje tem 660.

A visita íntima acontece no interior da cela e, como não há aparelhos para inspeção, até as crianças são revistadas pelos funcionários do presídio. O aparelho de raio-X, doado pelo governo federal, está parado porque precisa de manutenção, mas as peças importadas não chegam ao Brasil.

“Não se pode falar em ressocialização neste presídio. Estamos à beira de um colapso. Ele deve até mesmo ser implodido, nada presta”, defendeu o juiz da Vara de Execuções Penais, Braga Neto. Ele visitou a cadeia nesta semana e constatou um quadro pior: entre as celas, os presos fizeram buracos nas paredes, ligando os ambientes. O teto está rachado e cheio de goteiras. As paredes estão mofadas.

A Intendência do Sistema Prisional analisa a construção de um novo presídio, mas sem data para sair do papel. Um laudo confirma que a cadeia não tem condições de ser reformada. De acordo com integrantes do Sindicato dos Agentes Penitenciários, existem pelo menos 30 túneis abaixo do Baldomero, todos escavados por presos. As autoridades perderam as contas da quantidade de fugas.

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