Com equipe formada 100% por profissionais pretos, filme institucional do Governo de Alagoas celebra o dia da Consciência Negra

O Governo de Alagoas lançou um filme institucional para celebrar o Dia da Consciência Negra nesta segunda-feira (20). Com 100% de atuação de profissionais pretos – desde criação, elaboração, direção, edição e elenco –, a peça é uma reverência à resistência simbolizada na luta de Zumbi, líder do quilombo encravado no alto da serra de União dos Palmares.

Desenvolvida pela Artecetera Comunicação Integrada, a produção contou com 70 profissionais, entre atores, bailarinos, equipes de criação, direção e figurino. Criador do filme ao lado de Renato Nascimento, Luciano Quirino lembra que as gravações na Serra da Barriga emocionaram o elenco pelo simbolismo da resistência daquele que foi um guerreiro literal contra a escravidão.

“Pra gente foi um grato desafio porque a Artecetera sempre teve em seu DNA a diversidade e a inclusão. Quando recebemos o desafio [do Governo de Alagoas de fazer uma peça com 100% de profissionais negros], logo reunimos os integrantes de nossa equipe que são pretos pra desenvolver a campanha”, completou.

Em poucos dias de lançada, a campanha ganhou destaque na mídia nacional pelo ineditismo. Em reportagem veiculada nesta terça-feira (14), a revista Exame enfatiza os conceitos da representatividade trabalhados no vídeo. “O lugar escolhido para as gravações foi a Serra da Barriga. Foi ali, na cidade alagoana de União dos Palmares, que por quase 100 anos existiu o Quilombo dos Palmares, o maior do Brasil, referência na resistência negra contra a escravidão no país”, diz trecho da matéria.

“[A campanha] É uma iniciativa inédita na história da comunicação oficial e está em perfeita sintonia com a política do Governo de Alagoas, que é de referenciar cada vez mais nossa identidade e tudo o que significou a resistência na Serra da Barriga. O filme traz uma forte carga simbólica e emite sinais sobre respeito ao próximo, diversidade, tolerância e liberdade. A gente se vê nele”, destacou o secretário de Estado da Comunicação, Joaldo Cavalcante.

O diretor de Operações da Artecetera, Luiz Moreira, ressalta a importância do filme, lembrando que o país vive um momento de resgate e entendimento de raça. “Então a iniciativa do governo de Alagoas em priorizar que toda a equipe fosse preta só reforça o quanto podemos ocupar todos os lugares na sociedade, seja qual ele for”, defende.

No filme, que foi produzido pela VTK, o poema de Jorge de Lima é interpretado pelo ator alagoano Chico de Assis, que tem uma vasta experiência na poética do autor dos consagrados O Acendedor de Lampiões e Essa Negra Fulô – ambos declamados uma infinidade de vezes por Assis nos palcos da vida.

Além dar protagonismo à população preta, a peça também reverencia o Príncipe dos Poetas alagoanos, no ano em que se celebra os 130 anos de seu nascimento. 2023 também é marcado pelos 70 anos de sua morte, ocorrida em 15 de novembro de 1953, aos 60 anos, no Rio de Janeiro. Imortalizado, Jorge de Lima é mais uma voz da resistência que fez questão de cobrir seus poemas de preto, como enfatiza os versos de Serra da Barriga:

“As outras montanhas se cobrem de neve,

de noiva, de nuvem, de verde!

E tu, de Loanda, de panos-da-costa,

de argolas, de contas, de quilombos!”

FICHA TÉCNICA

Cliente: Governo de Alagoas

Agência: Artecetera Comunicação Integrada 

Atendimento: Luciano Quirino

Criação: Luciano Quirino e Renato Nascimento

Produção: Luiz Moreira

Mídia: Claudia Alcântara 

Produtora: VTK Vídeo Produções

Direção de cena: Lucas Cachalote

Direção de Fotografia: Gerson Barros

Coordenadora de Produção: Paula Amaral

Produção: Roseane Conceição 

Assistente de produção: Saulo Emanuel

Figurinista: Pedro Braz

Maquiagem: Gabriella Gomes

Som direto e trilha: Christiano Reis

Interpretação: Chico de Assis 

Locução: Diva Gonçalves

1º Assistente: Dalio Marinho

2º Assistente: Marcelo Lenhador

Gaffer: Valterlin

Assistentes de Maquinaria: Edson Oliveira e Paulo

Edição: Anderson Conrado

Fotografia: Romildo Soares

Grupo de Dança e Percussão Afro: Olóómi Áyyéé – Comunidade Remanescente Quilombola Muquém 

*com Agência Alagoas

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