Ao ouvir as declarações do chefe o Ministério Público Estadual sobre o delegado acusado de torturar um detido, fiquei chocada. Mas quando ouvi, em seguida, a postura do chefe do executivo, o governador Teotonio Vilela, não tive palavras para expressar a indignação sentida, diante da coerção explícita.
Se amizades e afinidades entre indivíduos podem servir de base, para absolutamente todas as situações em Alagoas, a Justiça não carrega apenas o princípio da inércia, mas a total inutilidade!
Por mais grave que seja um cometimento, a própria Lei determina a sequência das punições de um réu. Certamente, não está escrito maltratos físicos, seja de qualquer proporção.
Em caso distinto do apresentado pelo Ministério Público Federal, eu mesma conheço a malevolência instituída nos órgãos públicos alagoanos, com vistas à defesa de agentes de segurança pública, com extensas práticas de torturas no submundo do silêncio omisso.
Denunciar um delegado em Alagoas virou um crime, pois que qualquer denunciante encontra diante de si a estrutura governamental afiada na defesa, com o suporte do senso comum que a tudo digere sem selecionar.
Não haveria necessidade de tal exposição, por parte do governador de Alagoas sobre um tema de total pertencimento à Justiça, se sua consciência de homem público o levasse a perceber as mazelas sociais que estão na sua alçada, solucionar. Destas, o governador parece esquecer. Como por exemplo, nosso Hospital Geral , transfomado em um reduto de dores; maternidades sem condições de receber dignamente os nascituros alagoanos; delegacias rachando ao meio e superlotadas, sem estrutura, entre tantas outras situações.
O discurso coercitivo do MP e do governador já antecipou o resultado da demanda. Assim como, no caso de denúncia que eu mesma fiz, recorrendo inclusive ao Ministério Público Estadual em busca de apoio ao pleito de cunho cidadão e societário, o silêncio definiu quem sairia perdendo e quem permaneceria ganhando.
Como perdedora material da questão, ganhei a consciência imorredoura de que cidadania em Alagoas ainda exige martírio, perseguição e morte, para continuar sendo abordada com seriedade.
Reafirmando a certeza de que a violência que assola nosso Estado nasce na parte alta dos poderes, escorrendo sobre nós como uma cascata de opressão social e miserabilidade moral dos dirigentes.





