A participação do senador Fernando Collor (PTB) na CPI Cachoeira poderia resumir uma síndrome, carregada por ele, nos últimos 20 anos: o impeachment, que o retirou do cargo, por motivos conhecidos.
Mesmo elegendo-se ao Senado, Collor não se livrou do “trono” presidencial. Na disputa ao Governo em 2010 talhou frases de efeito que fizeram naufragar sua candidatura- como o fez na época presidencial; costurou apoios públicos com João Beltrão, Cícero Ferro, Marcelo Victor ou Francisco Tenório- parecendo sua tropa de choque passeando armada pelos corredores do Congresso Nacional; usa os golpes discursivos bem quistos no início dos anos 90 mas ultrapassados em períodos de ampla popularidade presidencial, um Brasil enfrentando sem sequelas a crise financeira internacional e se dando ao luxo de fazer uma reforma na caderneta de poupança- o que Collor fez e fracassou.
Em 20 anos, o Brasil viu a passagem de duas eras: o PSDB para o PT; o PT deixando a esquerda e virando um partido centro-direitista; o naufrágio de personalidades públicas, como Fernando Henrique Cardoso; a ascenção de Lula, que elegeu Dilma; o fim da era José Serra; o início da caminhada política, rumo ao Planalto, de Aécio Neves- os tucanos trocam as plumas.
E, vinte anos depois, a agenda de Collor passeou entre o Parlamentarismo- testado e golpeado na era João Goulart; a Rio+20, sem considerar as discussões internacionais na era da economia verde, a emissão descontrolada de CO2 pelos Estados Unidos e o aquecimento global.
Na CPI, mostrou querer implantar uma “CPI da Imprensa”, clara oportunidade de transformar o Senado em tribunal contra jornalistas e meios de comunicação, logo ali, a Casa dos Horrores, de funcionários fantasmas e de comissões de inquérito fatiadas ao meio (a CPI não apura as relações entre a Delta e os contratos alagoanos, por exemplo, apesar das iregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas da União).
O que Collor é, no presente? O retrato do passado. Um rei, como diria a música, sem escravo, nem coroa. Nem o castelo da Dinda sobrou. Ficou a Majestade- venerada, à medida que o tempo avança, por cada vez menos pessoas.








