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A 1ª vice-presidente do Congresso Nacional, deputada Rose de Freitas (PMDB-ES), divulgou oficialmente os nomes dos deputados e senadores que farão parte da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que vai investigar as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com políticos e empresários. A leitura dos nomes é o último passo antes da instalação da comissão.
A primeira reunião da CPI deve ocorrer nesta quarta-feira, quando os integrantes deverão fechar um cronograma de trabalho, que será conduzido pelo presidente da comissão, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB). A presidência da CPMI é prerrogativa do PMDB, por ter a maior bancada no Senado.
A relatoria, por sua vez, ficará a cargo do deputado Odair Cunha (PT-MG), indicado pelo PT, que detém a maior bancada na Câmara. Mais cedo, Cunha negou que vá criar sub-relatorias para agilizar o trabalho da comissão, pois poderia trazer alguns problemas, como “facilitar o vazamento” de documentos sigilosos que estão no STF.
A CPI será composta por 30 titulares e 30 suplentes – metade de uma Casa, metade da outra. Em sua maioria, os partidos escolheram nomes ligados à área policial ou advogados. Na Câmara, a oposição optou por parlamentares com perfil investigador. O PSDB, por exemplo, escolheu como titulares Carlos Sampaio, ex-promotor de Justiça, e Fernando Francischini, delegado da Polícia Federal.
Entre os partidos da base de apoio ao governo, prevaleceram os interesses individuais. No PMDB, Íris de Araújo pretende atingir o governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, seu adversário político. Luiz Pitiman, do Distrito Federal, quer apontar os canhões da CPI para o governador petista Agnelo Queiroz, seu desafeto.
O líder do PTB no Senado, Gim Argello (DF), escalou Fernando Collor (AL) para compor a comissão. O PDT confirmou que Acir Gurgacz (RO) será o suplente da bancada na CPI. O titular é Pedro Taques (MT). O parlamentar é ex-procurador de Justiça.
Mais cedo, Cunha, que também ocupa o cargo de vice-líder do governo na Câmara, afirmou que não se sente impedido de trabalhar na comissão e que não vai se furtar a investigar membros do governo.
“Todos nós temos relações com o governo da presidente Dilma Rousseff, mas temos de ter clareza que estamos investigando as relações do Cachoeira. Se a partir dos dados levantados durante os trabalhos da CPMI surgir algum nome ligado ao governo, nós investigaremos. Doa a quem doer”, disse o relator, após reunião da bancada do PT na Câmara.
O Senado não entregou todos os nomes que ficarão na suplência da CPMI. Foram lidos no plenário os nomes de apenas dez senadores.
Confira a lista completa dos indicados até o momento:
Deputados
Titulares:
Odair Cunha (PT-MG) – relator da CPMI
Cândido Vaccarezza (PT-SP)
Paulo Teixeira (PT-SP)
Luiz Pitiman (PMDB-DF)
Íris de Araújo (PMDB-GO)
Carlos Sampaio (PSDB-SP)
Fernando Francischini (PSDB-PR)
Onyx Lorenzoni (DEM-RS)
Gladson Cameli (PP-AC)
Paulo Foletto (PSB-ES)
Rubens Bueno (PPS-PR)
Protógenes Queiroz (PCdoB-SP)
Filipe Pereira (PSC-RJ)
Miro Teixeira (PDT-RJ)
Silvio Costa (PTB-PE)
Maurício Quintella Lessa (PR-AL)
Suplentes:
Dr. Rosinha (PT-PR)
Luiz Sérgio (PT-RJ)
Sibá Machado (PT-AC)
Edio Lopes (PMDB-RR)
João Magalhães (PMDB-MG)
Domingos Sávio (PSDB-MG)
Rogério Marinho (PSDB-RN)
Hugo Leal (PSC-RJ)
Ronaldo Fonseca (PR-DF)
Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP)
Sarney Filho (PV-MA)
Vieira da Cunha (PDT-RS)
Glauber Braga (PSB-RJ)
Iracema Portella (PP-PI)
Osmar Júnior (PCdoB-PI)
Mendonça Prado (DEM-SE)
Senadores
Titulares:
Vital do Rêgo (PMDB-PB) – presidente da CPMI
Ricardo Ferraço (PMDB-ES)
Sérgio Souza (PMDB-PR)
Humberto Costa (PT-PE)
José Pimentel (PT-CE)
Fernando Collor (PTB-AL)
Lídice da Mata (PSB-BA)
Pedro Taques (PDT-MT)
Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)
Vicentinho Alves (PR-TO)
Ciro Nogueira (PP-PI)
Álvaro Dias (PSDB-PR)
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
Jayme Campos (DEM-MT)
Kátia Abreu (PSD-TO)
Paulo Davim (PV-RN)
Suplentes:
Jorge Viana (PT-AC)
Wellington Dias (PT-PI)
Delcídio Amaral (PT-MS)
Acir Gurgacz (PDT-RO)
Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP)
Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE)
Randolfe Rodrigues (PSOL-AP)
Benedito de Lira (PP-AL)
Sergio Petecão (PSD-AC)
Carlinhos Cachoeira
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.
Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram contatos entre Cachoeira e o senador democrata Demóstenes Torres (GO). Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais.
Nos dias seguintes, reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo afirmaram, respectivamente, que o grupo de Cachoeira forneceu telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, e que o senador pediu ao empresário que lhe emprestasse R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo. Na conversa, o democrata ainda vazou informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes.
Pressionado, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado em 27 de março. No dia seguinte, o Psol representou contra o parlamentar no Conselho de Ética e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a quebra de seu sigilo bancário.
O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido havia decidido abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda, encerrando a investigação interna. Mas as denúncias só aumentaram e começaram a atingir ouros políticos, agentes públicos e empresas.
Após a publicação de suspeitas de que a construtora Delta, maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos, faça parte do esquema de Cachoeira, a empresa anunciou a demissão de um funcionário e uma auditoria. O vazamento das conversas apontam encontros de Cachoeira também com os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás. Em 19 de abril, o Congresso criou a CPI mista do Cachoeira.








