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Coaracy Fonseca escreve: O tempo da memória

Coaracy Fonseca é promotor de justiça e ex-procurador Geral de Justiça de Alagoas 

Talvez eu já tenha escrito um texto com igual nome. Se ocorreu não importa.

Hoje conversei bastante com amigos e amigas estimados e percebi que o tempo deu um salto olímpico diante de mim, sem que eu percebesse a sua passagem.

Tempo de grandes mudanças. Amigos aposentaram e outros projetam o mesmo destino. Muitas transformações que ostentam a bandeira da finitude da vida.

Nesse passo, nós fazemos o balanço da nossa vida e refletimos sobre o que fizemos em benefício do semelhante, se tivemos algum poder para realizar e o porquê do universo tê-lo concedido.

Ontem, por acaso encontrei uma crônica do jornalista Ricardo Mota com o seguinte parágrafo: “Após a Operação Taturana, a instituição conquistou a confiança dos alagoanos, mas foi bom quanto durou”.

Referia-se o jornalismo sobre a atuação da polícia federal em Alagoas, que encontrou o pleno respaldo do MPAL e do TJAL.

Pensávamos que um ataque duro aos fatos apontados no inquérito iria mudar a nossa realidade sócio-econômica e política. Acreditávamos em um novo mundo.

A história nos mostrou o total desprezo à ética pública e um Brasil indiferente a malversação do dinheiro público. Cabe ao povo mudar a sua realidade.

Mas, como um inveterado utópico, acredito que as gerações atuais têm a missão de deixar às gerações futuras uma civilização mais avançada e humana, bem melhor que aquela que lhe foi legada.

Contudo, o amigo Rogério Paranhos, uma excelência de promotor de Justiça, lembrou-me do programa Menor Aprendiz que retirou do flagelo das drogas jovens sem esperança, que superaram o vício, e hoje são trabalhadores e grandes pais de família.

Outros também tive a oportunidade de encontrar. Portanto, não existem pessoas irrecuperáveis; existem humanos sem oportunidade, que o sistema brutal não permite que cheguem à fase adulta.

Por isso, apesar de tantos solavancos, ainda acredito no ser humano e na sua capacidade infinita de surpreender para melhor.

O caminho da criança é o da escola. E para aqueles que detêm o poder é importante lembrar que ele é fugaz, mas é uma grande oportunidade de fazer o bem e praticar a virtude.

Ao depois, só nos resta o tempo da memória, nada mais.

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