Coaracy Fonseca é promotor de Justiça e ex-procurador Geral de Justiça de Alagoas
Quem tem o poder dita o direito, por isso ele não é neutro, procura resguardar bens jurídicos que são caros à maioria eventual.
Ontem, tive acesso a uma fala da Professora Ana Cláudia Laurindo sobre a situação da Ufal. Na oportunidade, ela questiona o uso dos recursos das emendas parlamentares.
A Constituição Federal trata do assunto e dispõe que um percentual das emendas deve ser aplicado, obrigatoriamente, nos serviços de saúde.
Silenciou quanto à educação pública, mas não foi um silêncio eloquente, como se diz na hermenêutica constitucional.
Nada impede, antes se recomenda, que o parlamentar destine parte dos recursos à educação, ou seja, troque o trator e outras máquinas agrícolas pela qualificação da juventude, pela pesquisa científica e extensão universitária.
A educação forma o ser humano, aumenta os limites da liberdade, ensina a pensar. Não à toa os regimes totalitários queimam livros, são inimigos da cultura.
O povo é responsável por suas escolhas. Há quem prefira armas letais; outros fazem opção pela educação, que é capaz de livrar o ser humano da miséria e qualificá-lo para o trabalho. O trabalho é condição para a dignidade. É libertador!
A educação transformou a Alemanha no pulmão econômico da Europa, após a derrota em duas grandes guerras.
Temo pelo futuro do Brasil se o povo não aprender a escolher. Nenhum governante consegue desenvolver o seu projeto sem o apoio do Parlamento.
O custo desse apoio quem delimita é o povo através do voto. A você, leitor, lanço a indagação: qual o preço deve ser pago pelo apoio parlamentar?
O seu voto decide a partida.








