Números da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), divulgados esta semana, mostram que o crack continua avançando de forma descontrolada em Alagoas. Pelos dados, são vinte cidades no Estado com “risco alto”- a zona vermelha- de circulação da droga contra 16 em 2011, quando a Confederação iniciou o levantamento nas cidades brasileiras.
Pelos mais novos números, das 90 cidades alagoanas pesquisadas, 84 têm circulação do crack- com maior ou menor intensidade.
Em Maceió- sempre de acordo com a CNM- o nível dos problemas relacionados ao crack é considerado “médio”. Mas, em Marechal Deodoro, São Miguel dos Campos, Campo Alegre,
São Luis do Quitunde e Barra de Santo Antônio- as cidades mais próximas da capital- o nível é considerado “alto”.
Durante a apresentação dos dados, foi esclarecido que o custo do tratamento de dependes químicos é mais elevado que o da prevenção. Mas, por conviver diretamente com a população local, as prefeituras acabam tendo de providenciar medidas por conta própria. “Nós [o Observatório do Crack da CNM] levantamos esses números, para mostrar o quanto esses problemas estão impactando nas finanças municipais e estão agravando a situação de uma forma assustadora”, disse o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski.
Os dados são revelados uma semana após a vinda do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a Alagoas, defendendo os números do programa Brasil Mais Seguro: “A violência em Alagoas está diminuindo”, disse.
Só que os mesmos números- da Secretaria de Defesa Social- são diferentes. E a correlação entre o aumento das mortes violentas- os assassinatos- e a incidência no consumo do crack parece ser uma relação diretamente proporcional. Nas estatísticas, o mês de agosto mostra 150 assassinatos- a menor média desde 2011. Em setembro, houve um “crescimento assustador” nos assassinatos mas os números ainda estão sendo fechados e devem ser divulgados até o início da próxima semana.
O crescimento da violência- e do consumo do crack- coincide não apenas com a execução do plano piloto contra a violência no País. De 2009 a 2012, os repasses federais para a segurança pública no Estado mais violento do Brasil só aumentam: em 2009, R$ 6 milhões (exatos R$ 6.060.391,87); em 2010, cinquenta vezes mais: R$ 341,4 milhões (R$ 341.440.144,66); em 2011, R$ 22,6 milhões (R$ 22.669.660,59); em 2012, R$ 68,3 milhões (R$ 68.368.906,80).
Segundo o próprio ministro, desde o início do Brasil Mais Seguro até hoje foram investidos, em Alagoas, R$ 200 milhões na segurança.
“Há 12 anos, Alagoas registrava uma linha ascendente da violência medida pelo número de homicídios, mas desde a implantação do programa, houve uma redução de quase 20% dos crimes, enquanto em outros estados, os índices aumentaram”, observou o ministro.
Para Eduardo Cardozo, o enfrentamento da violência e das drogas ilícitas não se faz apenas com recursos financeiros, mas também com “vontade política e ação de governo”, disse, ressaltando que a participação da sociedade é importante para que os resultados sejam alcançados.
“Sem esforço político e sem a participação da sociedade, incluindo as estratégias e avaliações permanentes das ações de combate à criminalidade, não teremos resultados na melhoria da segurança pública”, disse o ministro.
Nas ruas, parece que o dinheiro não consegue segurar a onda de matança, assaltos e medo. Ou pelo menos não tem sido, sozinho, a alternativo no combate ao crime.
O coordenador da Câmara de Monitoramento do Brasil Mais Seguro, juiz Diógenes Tenório, declarou esta semana que os assassinatos, em setembro estão “mais preocupantes”. O quadro- considerado por ele grave- envolve a redução drástica do efetivo da Força Nacional e à falta de uma política de enfrentamento às drogas. “A causa principal dos crimes continua sendo a droga”, disse o magistrado.
“A tropa está desmotivada e o Brasil Mais Seguro falido. É preciso, também, uma reestruturação das penas aplicadas a autores de crimes hediondos, mas a realidade não muda porque só observamos rigorosidade nos crimes de clamor público”, emendou o promotor-coordenador do Grupo Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc)- do Ministério Público Estadual- Alfredo Gaspar de Mendonça.
E o crime em Alagoas não tem mais uma “barreira”. Em Murici, a polícia não entra na favela Portelinha. E a cidade pariu o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB).
Em Maceió, o agente penitenciário Josimar Alves da Silva, 32, foi baleado durante uma tentativa de assalto na Feirinha do Tabuleiro, no bairro do Clima Bom. Em um único dia, na semana passada, sete casas foram assaltadas na capital.
E a onda de violência preocupa até quem tem histórico de violência. As críticas mais contundentes, na Assembleia Legislativa, à onda de criminalidade, são dos deputados Antônio Albuquerque (PT do B) e João Beltrão (PRTB). Ambos são acusados de assassinatos, apesar de negarem os crimes. A reação foi a aparte do deputado Ronaldo Medeiros (PT): “A segurança pública em Alagoas faliu”. Nem mesmo os mais entusistas seguidores da presidente Dilma Rousseff- que acompanha diretamente as ações do Brasil Mais Seguro em Alagoas- conseguem defender o quase indefensável.








