CNJ cria banco de dados do Judiciário

O sistema começa a funcionar hoje com 33 milhões de processos do Distrito Federal e de sete Estados - São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Alagoas, Mato Grosso e Amazonas

Juliano Basile – Valor Econômico

O Conselho  Nacional de Justiça (CNJ) criou um novo banco de dados para permitir  que pessoas e empresas saibam quantos processos tramitam contra elas no  Judiciário.

O sistema, chamado de Central Nacional de Informações  Processuais e Extraprocessuais (CNIPE), será revolucionário na opinião  do ministro Cezar Peluso, presidente do CNJ e do Supremo Tribunal  Federal (STF). Antes de a pessoa fechar um negócio com uma empresa, ela  poderá verificar, num único clique, a quantos processos essa companhia  responde, se ela possui bens indisponíveis, se está em vias de falência  ou se é boa pagadora.

“Esse sistema não existe em nenhum lugar do  mundo”, disse Peluso ao Valor. “É um fato revolucionário não apenas para  o Judiciário, mas para a sociedade em relação às demandas que ela tem  na Justiça.” Em São Paulo, por exemplo, são necessários nove dias para  obter informações de uma empresa em todas as comarcas da capital. Pelo  sistema, essa consulta será feita em poucos minutos.

O Valor fez  um teste prévio no sistema, que será lançado oficialmente hoje. Ao  digitar o CNPJ da Vasp, companhia aérea falida, apareceram 540 processos  com a indicação do local e fase de tramitação, além do nome do juiz  responsável por cada caso.

Para o secretário-geral do CNJ,  Fernando Florido Marcondes, o sistema será uma ferramenta para planejar o  Judiciário. “Será possível verificar quantos processos existem em cada  vara e quais os tipos de ação que são mais recorrentes em determinadas  regiões do país”, afirmou.

O sistema começa a funcionar hoje com  33 milhões de processos do Distrito Federal e de sete Estados – São  Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Alagoas, Mato Grosso e  Amazonas. O objetivo é que ele tenha todos os 70 milhões de ações em  tramitação no país. Posteriormente, o CNJ também quer ampliar o sistema  com as informações das juntas comerciais.

.