Uma dia após a morte da servidora pública Raquel Martins Damasceno, de 48 anos, submetida a uma abdominoplastia – uma cirurgia estética na barriga- técnicos da Vigilância Sanitária fizeram inspeção na clínica onde aconteceu o procedimento. E descobriram irregularidades. A clínica está proibida de realizar novas cirurgias pelos próximos oito dias.
A primeira é que o Instituto de Olhos de Maceió (IOM)- local da cirurgia- não tem autorização para realizar procedimentos deste tipo.
“O local era para pequenas cirurgias, ou seja, uma clínica de oftalmologia. Os profissionais que constam são oftalmologistas e anestesistas”, disse o técnico da Vigilância Sanitária, Renê Gondim.
Outra irregularidade, diz a Vigilância, é no documento assinado pela paciente em que ela toma conhecimento dos riscos da cirurgia. O termo deveria ter sido assinado pelo médico responsável.
O diretor da clínica, Carlos Paes, afirma que tinha autorização para realizar diversas cirurgias plásticas. “Face, prótese, mama, abdomem, prótese de panturrilha, de bumbum”, listou. E negou falta de condições do local.
Raquel Martins Damasceno foi internada às oito da manhã do dia 7 de março para realizar a cirurgia. Além da barriga, foi feita lipoaspiração nas costas e nas coxas. De acordo com a certidão de óbito, Raquel- que era hipertensa- teve um ataque cardíaco causado por embolia gordurosa.
Às 15:08, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado para o Instituto de Olhos de Maceió, onde a servidora estava internada. A clínica não tinha UTI. Ela foi levada às pressas para a Santa Casa de Misericórdia, mas não resistiu.
“Para este procedimento, a clínica deveria ter UTI Móvel ao lado do hospital ou dentro do hospital”, disse o técnico da Vigilância Sanitária.
Segundo a direção do instituto, foram tomadas todas as providências médicas de reanimação da paciente.
O cirurgião plástico, Valter França- responsável pelo procedimento- não quis falar. O advogado dele, Carlos Henrique Ferreira Costa, disse que Valter França tem 42 anos de experiência em cirurgia plástica e realizou mais de 15 mil procedimentos, sem problemas.
“É claro que ele está sentindo por tudo o que aconteceu. Mas, ele está consciente de que a parte dele não foi feito nada de errado”, disse.
A clínica foi autuada por oito dias e não pode realizar cirurgias até que se comprove vinculo legal dos cirurgiões plásticos com o instituto.
Se não for apresentado no prazo estabelecido pela Vigilância Sanitária, o centro cirurgico será fechado permanentemente.
A Polícia Civil instaurou inquérito para comprovar se houve negligência.
“Os rumos da investigação serão dados a partir do momento em que se estiver com os laudos nas mãos”, afirmou o diretor metropolitano da PC, Arnaldo Soares.
O inquérito tem 30 dias para ser concluído, podendo ser prorrogado por mais 30.








