Repórter Nordeste

Não há provas que Suzana matou PC Farias, diz perito

No quarto dia do julgamento dos homicídios de Paulo César Farias e da namorada dele Suzana Marcolino, o perito Domingos Torchetto apresentou laudo em que contesta a primeira versão- de laudo assinado pelo perito Fortunato Badan Palhares- sobre o assassinato de PC Farias.

Para Torchetto, Suzana não se matou nem atirou em PC Farias. A conclusão foi tirada da própria arma encontrada na cena do crime: um revólver de aço inoxidável, da marca Rossi, com tambor liso.

– Nenhum elemento do projetil foi identificado nas mãos de Suzana Marcolino. A não- presença nas mãos dela de partículas metálicas, confirma que o exame de nitrito não foi válido, explicou.

Isso significa- para ele- que Suzana não poderia ter “produzido o tiro contra si mesma”:

– Há período em que este tiro é produzido e a arma é jogada para trás. Há uma demora no recuo da arma, o tiro não foi encostado porque os gases penetram na zona de tiro. Não identificamos isso. Além disso, se o sangue jorra após o tiro, porque não havia sangue na arma, se a arma estava próxima? São fatos que não tiveram explicação no primeiro laudo, explicou.

– Ela não empunhou a arma que atirou em seu peito. Ausência de sangue na arma, ausência de sangue nas mãos são provas que Suzana não empunhou esta arma.

– Por que o gesto de abrir e fechar o tambor não tinha impressão digital? Qualquer contato deixa impressão digital. Os borrões de digitais não foram analisados. As impressões digitais são decisivas.

Segundo ele, após seminários, foi abolido o exame de pólvora combusta da cena do crime. Isso porque o nitrito detectado não poderia ser oriundo de um tiro.

– Poderia ser do cinzeiro, da saliva ou da urina. Os exames não identificaram partículas metálicas nas mãos de Suzana. As partículas encontradas foram aluminío, cloro, enxofre e potássio, que também havia nas mãos de PC. Aí se diria que ele também produziu tiro.

Para que Suzana tivesse produzido o tiro, teria de ser encontrado nas mãos dela chumbo, bário e antimônio:

– Estas substâncias não foram encontradas.

O depoimento de Domingos Torchetto é contrário ao de Badan Palhares, apresentado ontem.

Perito: Suzana estava em atitude de defesa

Logo em seguida foi o perito Daniel Munõez. Ele disse que foi contactado pelo Judiciário alagoano após contradição nas provas dos autos, com o primeiro laudo: o de Badan Palhares.

Foi pedida contra-perícia

– Uma revisão nas provas técnicas contidas nos autos e separar o que era prova técnica e opinião pessoal, explicou.

– Tivemos alguns senões, algumas discordâncias em alguns pontos, analisou, explicando em seguida:

– Os primeiros peritos recolheram fragmentos de pele das mãos de Suzana para a pesquisa de resíduos de tiro. Eles constataram mais resíduos na palma da mão que no dorso. Pelas manchas de sangue, concluíram que a Suzana atirou contra o próprio tórax e acionando o gatilho com os polegares. Essa empunhadura é inviável. Saem resíduos pela lateral do tambor e a boca da arma. Aparentemente sairia o resíduo para a região palmar. Mas, os resíduos não atingem a região palmar por causa da posição das mãos. Não há como ela atirar contra si e ter concentração de resíduos na região palmar, disse.

– Só tem uma saída: ela estava em atitude de defesa. Ou seja: suicídio. Por isso, discordamos, explicou, analisando:

– Suicídio por arma de fogo: ele encosta a arma de fogo. É simples de entender: ele quer morrer e não sofrer. Ele vai virar a arma para o ponto mais fatal, analisa.

– A hipótese levantada pelos primeiros peritos não ocorre em lugar nenhum. Não foi tiro encostado. Qual a distância que ocorreu o disparo? Tiro suicida é com arma encostada. Não houve tiro com arma encostada. Então, a distância foi de três centímetros.

– O tiro em PC foi acima de 70 centímetros, provavelmente. Neste caso, homicídio.

Suzana estava se levantando da cama, quando recebeu o disparo.

– Ninguém se suicida levantando da cama. E ela teria de ter dois metros, na características que encontramos.
Suzana tinha 1,67cm.

-Não há prova alguma que Suzana atirou em PC. As provas de suicídio não se sustentam do ponto de vista técnico.

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