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Caso Gisele: Vídeo mostra desembargador em cena de feminicídio

Imagens de câmeras corporais da Polícia Militar revelam detalhes inéditos da manhã em que a soldado Gisele Alves Santana foi baleada no apartamento onde vivia com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos.

O registro, datado de 18 de fevereiro, mostra o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan chegando ao local isolado e entrando no imóvel acompanhado do oficial, menos de 30 segundos após se encontrarem no elevador.

O magistrado, que afirma ter ido ao local como amigo, presenciou os momentos em que o coronel sustentava a tese de suicídio da esposa, versão que seria desmentida pela perícia técnica um mês depois, resultando na prisão preventiva do oficial por feminicídio e fraude processual.

A análise dos registros telefônicos obtidos pela investigação aponta que, antes do encontro presencial às 9h07, o tenente-coronel realizou uma série de tentativas insistentes de contato com o desembargador.

Entre 8h02 e 8h03, foram pelo menos três chamadas não atendidas, seguidas de outras oito tentativas até que o magistrado respondesse, por volta das 8h41.

Geraldo Neto também teria tentado acionar o 190 e conversado com um superior hierárquico antes de conseguir falar com Cogan, que relatou à Polícia Civil ter recebido a ligação enquanto saía de uma aula de ginástica, descrevendo o oficial como “acelerado e nervoso”.

Dentro do apartamento, as câmeras registraram um contraste de atitudes entre os dois homens durante os 12 minutos em que permaneceram no imóvel preservado.

Enquanto o desembargador demonstrava incômodo e tentava convencer o amigo a deixar o local para não comprometer a cena do crime, o tenente-coronel insistia em permanecer, chegando a afirmar que precisava tomar banho e pedindo que o magistrado o aguardasse.

Mesmo diante dos alertas de Cogan, o oficial continuou circulando pelo espaço onde Gisele havia sido encontrada com um tiro na cabeça, reforçando a narrativa de que ela teria tirado a própria vida após uma discussão.

A investigação conduzida pela Polícia Civil e pela Corregedoria da PM, no entanto, reuniu provas técnicas que contradizem o relato do oficial, levando-o a se tornar réu tanto no Tribunal de Justiça de São Paulo quanto na Justiça Militar.

O desembargador Marco Antônio Cogan, que mantinha contato frequente com o coronel por mensagens e ligações, é tratado até o momento como testemunha no inquérito.

Gisele Alves Santana chegou a ser socorrida no dia do crime, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu poucas horas depois no Hospital das Clínicas.

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