Campus do Sertão desenvolve projeto para beneficiar piscicultores do São Francisco‏

Cultivo de tilápias em tanques-rede, da Associação dos Piscicultores e Pescadores Artesanais do Povoado Salgado, no rio São Francisco, município de Delmiro Gouveia

Ufal

Desenvolver modelos matemáticos para melhoria das condições socioeconômicas de piscicultores de municípios ribeirinhos do Rio São Francisco, e em especial, cultivadores de tilápia, é a pesquisa coordenada pelo professor Gabriel Soares Badue, docente dos cursos de Engenharia de Produção e Engenharia Civil, do Campus do Sertão. O estudo visa beneficiar produtores assistidos pelo Arranjo Produtivo Local (APL) Delta do São Francisco, otimizando a atividade econômica que é meio de subsistência para inúmeras famílias da região.

Denominada de “Modelagem da Matemática Aplicada no cultivo de tilápia por pequenos produtores”, a pesquisa teve dados coletados e estudo topográfico no povoado Limeirão, em Delmiro Gouveia, e tem elaborados modelos matemáticos que representam ambientes e condições nas quais os cultivos de tilápia atendidos pelo APL Delta do São Francisco são desenvolvidos. A pesquisa tem a parceria do governo do Estado e Serviço de Apoio à Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-AL) e conta com a participação de alunos dos cursos de Engenharia Civil e Engenharia de Produção, integrantes dos Programas de Bolsas de Desenvolvimento Institucional (BDI) e de Permanência e colaboradores.

O professor Gabriel Badue diz que a elaboração de modelos matemáticos dentro da realidade local atende à demanda da Associação dos Piscicultores e Pescadores de Pescados Artesanais do povoado Salgado, em Limeirão, e abrange também a inclusão social de mulheres na atividade; o consumo da espécie no município; e infraestrutura, como o projeto de um elevador para transporte de pescados, ração e equipamentos. O projeto do elevador tem a orientação dos docentes Romildo Escarpini Filho e Arnaldo dos Santos Júnior.

O pesquisador acrescenta que os modelos criados possibilitam a realização de estudos e simulações voltados ao objetivo do projeto, que é otimizar o lucro dos produtores. Com esse mesmo objetivo, a pesquisa apresenta também um modelo bioeconômico para determinar o instante de despesca do cultivo do pescado. “Os resultados e informações geradas pelo desenvolvimento do trabalho podem ser utilizadas pelo APL Delta do São Francisco para planejar futuras ações junto aos produtores”, enfatiza Gabriel.

Além da importância para o desenvolvimento econômico e social da região, a pesquisa é uma importante contribuição para a formação acadêmica dos alunos que integram a equipe, futuros engenheiros civis e de produção. “A abrangência do projeto contempla trabalho teórico e prático, como aplicação de questionários, tabulação e análise, realização de experimentos, em especial modelagens e simulações, oportunizando ao aluno pesquisador um maior aprendizado e contribuindo para a sua formação profissional”, destaca o professor Gabriel Badue. Os pesquisadores apresentarão o estudo no Seminário Alagoano de Piscicultura e Jornada Acadêmica do Campus do Sertão, a se realizar em Delmiro Gouveia de 26 a 29 de junho.

Fortalecimento da piscicultura

O Arranjo Produtivo Local do Delta do São Francisco foi criado para consolidar a piscicultura no local, por meio do aumento sustentável da produção, da agregação de valor, e da criação e conquista de novos mercados para os produtos do APL.

Envolve 15 municípios do Baixo São Francisco Alagoano nas regiões da Zona da Mata, Agreste e Alto Sertão de Alagoas: Delmiro Gouveia, Olho d’Água do Casado, Pão de Açúcar, Piranhas, Traipú, Belo Monte, São Brás, Porto Real do Colégio, Igreja Nova, São Sebastião, Penedo, Piaçabuçu, Feliz Deserto, Coruripe e Jequiá da Praia. O território faz divisa com os Estados de Sergipe, Bahia e Pernambuco que, juntos, detêm o maior potencial piscícola do País, o que possibilita um amplo intercâmbio tecnológico e comercial.

As estratégias de atuação do APL Piscicultura Delta do São Francisco têm por base a articulação e realização de rodadas de negociação para executar as ações definidas em um Plano de Ação, discutido e elaborado a cada ano, pelos piscicultores, parceiros e por um consultor especialista. A sua contextualização garante a execução das ações e o alcance dos resultados esperados. As ações são organizadas por serviços de Marketing, Tecnologia, Capacitação, Gestão e Infraestrutura Especializada e Pública, de forma a facilitar as negociações e a implementação das ações.

Entre as principais ações do APL estão: capacitação dos produtores em associativismo, cuidados ambientais, técnicas de produção e gestão; fortalecimento das organizações produtivas; editoração de informativos técnicos; elaboração de pesquisas de mercado, diagnóstico da cadeia produtiva, e dos planos de negócios das unidades de beneficiamento de pescado; construção de infraestrutura especializada; assistência técnica aos piscicultores; e ações para a abertura de novos mercados.

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