O clima político em Pernambuco atingiu o ponto de ebulição nesta semana. O prefeito do Recife, João Campos (PSB), utilizou suas redes sociais para denunciar o que chamou de “arroubo autoritário” e espionagem política por parte da Polícia Civil do Estado contra um de seus principais auxiliares.
Sem citar nomes diretamente, Campos ligou o episódio à disputa eleitoral pelo governo do estado, na qual ele e a atual governadora, Raquel Lyra (PSDB), aparecem como os principais adversários.
A polêmica surgiu após uma denúncia anônima apontar que agentes da corporação estariam monitorando a rotina de Gustavo Queiroz Monteiro, secretário de Articulação Política e Social do Recife, e de seu irmão, Eduardo Monteiro, assessor municipal.
“Quero dizer a vocês que isso não vai ficar impune. Porque não vale tudo para disputar uma eleição”, disparou o prefeito em vídeo publicado no Instagram, prometendo levar o caso às últimas instâncias da Justiça brasileira.
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Investigação ou vigilância?
A resposta do Palácio do Campo das Princesas veio através do secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho. Em entrevista coletiva, o governo confirmou que houve, de fato, uma movimentação policial, mas negou veementemente qualquer prática de espionagem política.
Segundo Carvalho, a ação foi motivada por uma “grave denúncia” de recebimento de propina feita por um funcionário público da própria prefeitura.
O foco da apuração teria sido um veículo da frota municipal utilizado pelo secretário Gustavo Queiroz. De acordo com a Defesa Social, a denúncia não tinha elementos suficientes para a abertura imediata de um inquérito, mas, por envolver recursos públicos, a Polícia Civil realizou uma “checagem” de campo.
O secretário informou que a acusação não foi confirmada e que o procedimento já foi arquivado, acrescentando que a própria governadora Raquel Lyra solicitou que o episódio fosse rigorosamente apurado para garantir transparência.
O fator eleitoral
O episódio escancara a antecipação da corrida de 2026. Para o grupo político de João Campos, a utilização de uma instituição bicentenária como a Polícia Civil para monitorar adversários é um ferimento grave à democracia.
Já para o governo estadual, o caso foi tratado como uma diligência administrativa de rotina que acabou sendo politizada pela gestão municipal.
Enquanto a prefeitura se prepara para judicializar a questão, o embate reforça a polarização que deve dominar o cenário pernambucano nos próximos meses, transformando órgãos de segurança e fiscalização em novos palcos de guerra de narrativas entre o PSB e o PSDB.








