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Caminhos da Psicologia para o trabalho

A escassez de trabalho e o horror da dúvida sobre a segurança econômica crescem nas enormes camadas desempregadas da sociedade alagoana.

Sobra a infeliz alternativa do fatalismo ou da cooptação das subjetividades a dinâmica de empresas que pregam a destruição das relações de trabalho e dos sentidos a ele atribuídos. Tudo isso emerge como sinônimo de desespero: são tempos difíceis.

É parte notável do capitalismo dependente os tempos de penúria da classe trabalhadora em detrimento de projetos econômicos baseados na austeridade e em “ajustes” e contra-reformas que visam sustentar as burguesias e solapar o povo.

Um hiato incômodo reitera a tristeza encontrada nos/nas psicólogos(as), por exemplo, que estão sem perspectiva de trabalho e desemparados sem as propostas que deveriam contrariar a tendência do mercado em colocar de lado a psicologia e os/as psicólogos(as) para longe do trabalho digno e estável.

Em minha formação, tive que ouvir, certa vez, que as empresas geralmente não pedem estagiários de psicologia pois acreditam que sejam profissionais irrelevantes.

É um contexto difícil que vivemos, não podemos fechar os olhos para isso.

Mas qual a nossa resposta a estes desafios?

Se não temos lutas trabalhistas e uma tradição de enfrentamento a ofensiva neoliberal que caracteriza o mundo hoje, estamos de mãos para o alto, esperando o desfecho comum ao mundo do trabalho na atualidade: precarização, desemprego e desmonte de direitos.

A luta por postos de trabalho deve ser o ponto de partida para nossa segurança econômica e força política nesta sociedade. O modelo uberizado e precário do trabalho tem se mostrado uma realidade para nós desde a década passada e assistir este desmonte não é uma opção, se, de fato, acreditamos na força e relevância da nossa profissão.

A força da nossa categoria não deve ceder, não podemos mais aceitar notas de repúdio em tons brandos para não incomodar os setores reacionários da sociedade que tratam a atenção psicossocial e a saúde mental como privilégio de alguns e não como direito que deve ser assegurado pelo Estado.

Se nos agarrarmos a ideologia liberal-burguesa que domina o poder na atualidade acabaremos nos responsabilizando por estarmos “sem perspectivas”, ou que “não somos bons o suficiente” para encontrarmos outros caminhos para nossas práticas.

A psicologia é prática social e se estamos vivendo, produzindo e interagindo com os diferentes atores da sociedade estamos imersos num campo de trabalho que transcende os limites da formalidade empresa privada-trabalhador.

Discutir os caminhos para a psicologia enquanto profissão, neste momento, passa pela capacidade de sermos solidários e de encabeçarmos propostas solidárias para o fortalecimento de nossos laços com consciência de classe e como agentes históricos.

Desta maneira, não é indiscutível nem impossível pensar em propostas de economia solidária. O setor de serviços é pungente em Maceió, mas é dominado pela lógica privada e individualista como prega a ideologia dominante.

Mas precisa ser sempre assim? Será que a solidariedade não pode ser construída através da nossa capacidade de pôr em prática os discursos tão acalorados na academia sob as bases da materialidade?

Cooperativas de psicólogos já é uma realidade no Brasil e surge como alternativa ao desemprego crônico gerado pela dinâmica capitalista.

Mas a partir desta tendência precisamos estudar as dificuldades de executa-la e por qual razão ainda não saltou aos olhos dos(as) psicólogos(as) desempregados(as) esta alternativa tão presente no Brasil nas últimas décadas.

Os desafios são muitos, é verdade, mas a dificuldade sempre fez parte da vida das camadas populares. Precisamos, agora, nos mobilizar na direção oposta a construída até agora, tornando radicais e contundentes nossas propostas de emancipação e caminhos para a dignidade.

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