O que deveria ser uma nomeação técnica transformou-se em uma bomba política no colo do prefeito do Recife, João Campos (PSB).
A Câmara Municipal alcançou, nesta semana, o número de assinaturas necessário para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigará indícios de irregularidades, tráfico de influência e nepotismo cruzado em um concurso para procuradores do município.
O estopim? A nomeação do filho de uma procuradora da própria prefeitura para uma vaga destinada a Pessoas com Deficiência (PCD), uma manobra realizada dois anos após a homologação do certame e oficializada em uma edição extra do Diário Oficial em plena antevéspera de Natal.
O “furo” no edital e a reclassificação tardia
O caso, que agora será esmiuçado pelos vereadores, gira em torno de uma manobra administrativa atípica.
O candidato em questão havia se inscrito originalmente nas vagas de ampla concorrência.
No entanto, por meio de um recurso administrativo aceito pela gestão municipal, ele conseguiu reverter sua inscrição para a cota de PCD muito tempo depois do prazo estabelecido pelo edital original.
A rapidez e o momento da nomeação, publicada em 23 de dezembro de 2025, acenderam o alerta da oposição.
Diante da repercussão negativa imediata, João Campos chegou a recuar e reverter a nomeação, mas o gesto não foi suficiente para conter a ofensiva no Legislativo.
O requerimento da CPI, encabeçado pelo vereador Thiago Medina (PL), aponta que a reclassificação tardia fere a isonomia do concurso e sugere um favorecimento direto a familiares de agentes públicos.
O racha na base governista
O que mais surpreendeu os bastidores políticos na capital pernambucana não foi apenas a mobilização da direita, mas as assinaturas que vieram “de dentro”.
Das 13 rubricas colhidas, chamam a atenção nomes de partidos teoricamente aliados ou da base do prefeito, como Rubem (PSB), do próprio partido de Campos, além de Jô Cavalcanti (PSOL) e Osmar Ricardo (PT).
Essa “debandada” sinaliza que o desgaste ético do episódio ultrapassou as barreiras ideológicas.
Os parlamentares querem investigar se houve nepotismo cruzado e qual o grau de responsabilidade do Procurador-Geral do Município e do próprio prefeito na assinatura do ato.
*Com Agências








