Se fora de Alagoas a tarja calheirista por vezes fortalece parâmetros progressistas, e eleva o feito dos Renans no cenário antifascista, em casa, na fonte dos votos que os mantém na capital política brasileira como representantes do desígnio democrático, o declínio é inquestionável.
A representação da chapa nacional eleita no estado de Alagoas, é Paulo Dantas, governador apoiado pelos Renans, que por sua vez apoiou Lula como parte do acordo político, mas em apenas dois anos de mandato este último está sendo fechado de maneira caótica, não somente nas questões de gerência financeira das secretarias, mas também no quesito qualidade relacional, onde o governador derrapa rumo ao coronelismo.
Quando Renan Filho assumiu o governo de Alagoas em seu primeiro mandato, teve a prudência de superar práticas persecutórias que faziam parte do governo de Teotônio Vilela, uma liderança antiga, ligada ao setor canavieiro e açucareiro, as insígnias de atraso presentes na história alagoana.
Embora o jovem Renan tenha implantado políticas liberais que afetaram sobremaneira a vida real dos alagoanos, como por exemplo, a aniquilação paulatina do Ipaseal Saúde, que chegou a aliviar a vida de trabalhadores estaduais a partir do governo Ronaldo Lessa; sua desenvoltura gentil manejava perdas e ganhos, mantendo relacionamentos possíveis com o povo alagoano, que passou a ter menos mobilidade social, mas ainda mantinha canais ativos de discussão com o governo.
No caso de Paulo, a política alagoana se tornou dantesca.
Não tem o cheiro da usina de Teotônio Vilela, mas cheira a coronelismo sertanejo, outro mal que vigorou na raiz do poder, nesta terra marcada por opressões.
A política de retirada, perseguições e adesão ao servilismo institucional, voltou com força a Alagoas, levando a população a considerar Dantas o pior governo do estado, em declarações abertas nas redes sociais.
Renans recebem parte da conta. Afinal, indicaram e estiveram presentes na campanha de Paulo, e não poderão figurar como futuristas no cenário nacional enquanto em casa o futuro dantesco ameaça esperanças.
Ao ministro Renan Filho restará abrir mão do progresso político para corrigir estes erros, ou deixará a terrinha minguar para ser reidratada em mãos bolsonaristas?
Vale destacar que apenas combater Bolsonaro já não é um mote válido.
Nós, povo, precisamos de evolução no estado de bem-estar social. Não é possível nos relegar apenas ao modo votante, nós queremos cidadania plena, com direitos básicos garantidos e evolução social como pauta histórica. Não há mais espaço para recuperar e manter em Alagoas o arcaísmo político que rouba presente e futuro.
A tempo, futuro não é algo que interesse apenas aos Renans e Paulo. Todos queremos existir com dignidade neste estado onde nascemos e lutamos para viver.





