Diário do Nordeste
As estatísticas das entidades de pesquisa comprovam melhoria na distribuição da renda e, como consequência, queda nas desigualdades sociais. Na última década, o País passou da 10ª posição entre os piores na partilha da renda interna para a 12ª posição, ainda desconfortável.
Para o Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea), essa conquista vem ajudando a reduzir a pobreza. Pelo menos, 21,8 milhões de brasileiros migraram das condições de iniquidade para estágio menos grave de sobrevivência, ingressando até mesmo entre os grupos redistribuídos pelo mercado nacional de consumo.
Entre 2001 e 2011- conforme o Ipea – os 10% mais pobres tiveram ganho 5,5 vezes maior que os 10% mais ricos. Outro dado recente do ponto de vista de melhoria financeira revela: “enquanto a renda per capita da camada mais rica cresceu 16,6%, entre 2001 e 2011, a dos mais pobres aumentou 91,2%. Essa foi a maior queda na desigualdade documentada no País”.
A renda tem significado expressivo para esses estratos emergentes. Isso porque os ganhos auferidos se voltam basicamente para o consumo interno, injetando maior soma de recursos em circulação e, consequentemente, maior fluxo comercial. O estudo do Ipea “A década inclusiva (2001-2011): desigualdades, pobreza e políticas públicas” comprova a migração dos 21,8 milhões de brasileiros saídos das condições de miséria.
A renda do trabalho foi o instrumento responsável pela redução das diferenças entre ricos e pobres. Só essa via, respondeu por 58% da divisão dos rendimentos. A Previdência Social contribuiu com 20%, o Benefício de Prestação Continuada (BPB) com 4% e o Programa Bolsa Família com 13%.
Pelo estudo econômico, as desigualdades poderiam ter caído mais se o País tivesse elevado esse investimento social. O Ipea se utilizou do Índice de Gini para avaliar a redução das desigualdades, observando deslocamento de 0,594 em 2001 para 0,527 em 2011. O índice varia de zero a um. Quanto mais perto de zero, menor é a distância entre ricos e pobres em qualquer contexto.
Na década estudada, as famílias lideradas por grupos de pessoas analfabetas conseguiram aumento de renda de 88,6% contra queda de 11,1% nos rendimentos das famílias cujos responsáveis têm 12 ou mais anos de estudos completos. No Nordeste, especificamente, a renda cresceu 72,8% contra 45,8 % do Sudeste. A melhoria financeira influiu na qualidade de vida dos beneficiários.
Os grupos populacionais migrados da condição miserável em que viviam se incorporaram à classe média. O fenômeno também mereceu análise processada pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, constatando seu poder aquisitivo estimado para o ano em curso em R$1 trilhão.
A avaliação denominada “Vozes da Classe Média” quantificou em 104 milhões de pessoas arroladas com rendimentos entre R$ 291,00 e R$ 1.019, 00 por mês. A classificação das classes sociais foi estabelecida a partir da renda mensal. O contingente C representaria 53% do total da população.
Dentro dessa conceituação, a camada da classe média é a que mais consome e vem merecendo atenção especial dos planejadores de mercados regionais de consumo. O aumento da renda se deu em função da valorização real do salário mínimo e da expansão do emprego. Dessa maneira, é necessário que sejam mantidos não só os pressupostos da economia, como preparar o setor produtivo para atender às novas demandas.








