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Cade solicita novos estudos sobre fusão Petz-Cobasi e inclui nota técnica que alerta para risco de monopólios locais

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu aprofundar a análise sobre a fusão entre Petz e Cobasi, as duas maiores redes do varejo pet no Brasil. José Levi Mello do Amaral Júnior, relator do caso, encomendou novos estudos ao seu Departamento Econômico, dentre eles, um sobre o mercado online do setor e outro acerca do comportamento do consumidor, considerando o impacto dos programas de fidelidade atrelados a serviços como banho e tosa, que podem ampliar ainda mais a concentração de compras nas grandes redes.

José Levi destacou que a decisão sobre a fusão será técnica e ressaltou a relevância do mercado pet. Segundo ele, “é preciso um contexto concorrencial mais aprimorado” para que o Cade delibere sobre a operação. Na semana passada, Levi já havia prorrogado o prazo de análise do processo, alegando sua complexidade e estendendo a decisão final até o fim do ano: sem a prorrogação, o limite seria 3 de outubro.

Em reunião realizada nesta terça-feira (2) com a deputada federal Gisela Simona (União-MT), o conselheiro Victor Oliveira Fernandes, informou que foi determinada a anexação oficial da nota técnica elaborada pelo Instituto Caramelo, em parceria com o Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo (IPS Consumo), ao processo de fusão.

O documento aponta que, nas localidades em que há lojas da Petz e da Cobasi, a chance de pequenos pet shops fecharem as portas é 35% maior do que em regiões sem presença dessas redes. A análise conclui que a fusão pode resultar em centenas de monopólios locais e provocar alta no preço de produtos essenciais, como rações e medicamentos veterinários.

Gisela Simona destacou a importância de considerar os efeitos ao consumidor: “Estamos falando de produtos básicos, como ração e remédios, que podem ficar mais caros para milhões de famílias brasileiras. Nosso papel é alertar que a fusão pode comprometer a concorrência e restringir a liberdade de escolha dos tutores de animais”.

Para Marília Lima, responsável técnica do Instituto Caramelo, o encaminhamento do Cade legitima a relevância dos dados apresentados.

“A anexação da nossa nota técnica reforça que existem evidências concretas de riscos à concorrência. A concentração pode gerar monopólios locais, encarecer produtos, reduzir a diversidade de serviços e, como consequência mais drástica, aumentar o abandono de animais. É fundamental que a decisão seja tomada com base em informações técnicas e no interesse público”, ressalta Marília.

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