Sem Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúncias de corrupção- e abalados pela ocupação do Legislativo na semana passada por partidários da CUT- os deputados estaduais preparam reação contra João Henrique Caldas (PTN), que mostrou à imprensa os extratos bancários obtidos via Justiça Federal, da Casa. Os extratos são a maior prova de que a Assembleia tem um discurso moralizador na teoria. Nas suas entranhas, paga mais de 100 salários a um único servidor em um ano, povoou cargos comissionados de parentes e faz pagamentos por serviços que não existem, como a compra de papel higiênico. Há mais de dois anos os banheiros da Assembleia estão fechados.
Isolado, JHC vive agora a “caça às bruxas”: após falar dos colegas, enfrentará a Comissão de Ética da Assembleia- que nunca funcionou.
Apesar do apoio dos senadores Fernando Collor (PTB) e Renan Calheiros (PMDB) a JHC, venceu o entendimento do Governo: enterrar qualquer pedido de investigação na Casa de Tavares Bastos, para ela não varar em ano eleitoral.
E JHC será vítima da sinecura do Parlamento Estadual. Afinal, quais as acusações contra o jovem parlamentar? E quem vai investigar? A Comissão de Ética que não existe.