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Breve fala sobre espiritismo laico

Experiências humano/espirituais reconhecidas como libertadoras favorecem o desbravar da consciência em meio aos mares bravios do ceticismo materialista e dos fundamentalismos perigosos, dotados de dogmas religiosistas.

Parece impossível amar sem invocar padrões religiosos? Contudo, não o é. As vivências nos patamares do pensamento espírita laico proporcionam descobertas constantes, e de buscas, há de alimentar-se o espírito em sua inconstância sob e sobre a força da matéria.

O Centro Cultural Espírita de Porto Alegre é um pouso valioso no Brasil. Território de história pensada, aberto ao acolhimento e pleno de caminhos já trilhados na perspectiva que vai “Da religião espírita ao laicismo”, título do livro escrito e publicado por Salomão Benchaya, uma prova viva das conquistas acima citadas.

No prefácio Milton Medram apresenta os personagens dessa saga alertando que eles continuam “lúcidos e ativos. Aliás, eles continuam se movimentando no mesmo cenário. Irrequietos, insistem de tempos em tempos, em incursionar por panoramas mais amplos. Não resistem ao impulso de compartilhar experiências e de submeter à apreciação do movimento espírita aquilo que planejam, criam e vivenciam no laboratórios de ideias em que se transformou a Antiga Sociedade Espírita Luz e Caridade, hoje Centro Cultural Espírita de Porto Alegre.”

No contexto dos movimentos ampliados, esta livre pensadora que agora escreve, chegou ao CCEPA, no bairro Menino Deus, na capital gaúcha como participante do VI Encontro Nacional da CEPABrasil, sem saber que viveria os dias mais intensos de diálogos sobre as fronteiras que o pensamento social espírita cruza incessantemente, ainda que nem todos percebam.

Medran incentiva o registro histórico feito por Benchaya como um ato guardião da memória, para que não corra o risco de ser perdido no tempo. Realça então uma condição subjetiva indispensável, a “alteridade” como parte da pessoa no processo, reconhecendo que “alteridade é uma palavra ainda pouco usada em nosso meio. Sua prática é muito menor ainda”. Mas não há exigência moralista na constatação.

Reconhece a flexibilidade necessária para atos conciliadores e não esquece de uma famosa e importante frase dita por Maurice Herbert Jones, também criador do percurso registrado: “Sabemos pouco, não temos certezas definitivas, mas ousamos buscar”.

O eco da frase acima paira sobre o ambiente do CCEPA, marcando de impressões amistosas diferentes rostos em pronunciação de experiências de estudos distintas e até mesmo divergentes, tal como foi possível constatar no Encontro Nacional, sem ferir melindres nem gerar disputas de ego.

Sendo este artigo apenas uma introdução do que foi possível sentir e agrupar acerca da experiência empírica entre os pares, marcada pelo prefácio do livro “Da religião espírita ao laicismo”, nos comprometemos em trazer outros substratos advindos do estudo da obra, que certamente tem muito a colaborar com a expansão de uma mentalidade mais acolhedora para com o espiritismo laico, que para nós é amor na prática.

Com gratidão registramos a acolhida do CCEPA ao livre pensamento espírita com um abraço apertado do amor laico.

 

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