Nathália Honci-Agência Alagoas
Há exatos cem anos, completados neste sábado (10), um dos mais aguerridos democratas e também um dos mais doces poetas alagoanos teve sua vida ceifada pelas forças militares que apoiavam a continuidade de Euclides Malta à frente do Governo de Alagoas, em 1912. Filho do município sertanejo de Pão de Açúcar, a pessoa em questão é Bráulio Cavalcante, assassinado na Praça dos Martírios quatro dias antes de completar 25 anos, em meio ao seu discurso de oposição à oligarquia que governou o Estado por mais de uma década.
“Por conta da boa oratória, carisma e inteligência, Bráulio foi convidado a ser orador oficial da campanha de Clodoaldo da Fonseca, à época, oposicionista do Governo Euclides Malta”, explica Homero Cavalcante, sobrinho-neto de Bráulio, enfatizando o “gene de amor pátrio” do tio, que, segundo ele, foi o que o fez aderir ao movimento oposicionista.
Apesar do fim trágico, o episódio sangrento marca, segundo texto do historiador Golbery Lessa, publicado no site Repórter Alagoas, a queda da política oligárquica no Estado.
Em seus escritos de poeta, são inúmeras as marcas do patriotismo. Um exemplo é o soneto “Ode a Alagoas”, no qual, segundo Homero Cavalcante, ele convida o povo alagoano a lutar pela democracia.
Bráulio é dono de vasta bibliografia literária dispersa em jornais e revistas antigos do Brasil e do mundo, que é tema de pesquisa do escritor Etevaldo Amorim, num trabalho conjunto com Homero Cavalcante e apoiado pelo Gabinete Civil do Estado. “Ainda estamos em fase de coleta de informações, mas o intuito é reunir boa parte da obra e fazer uma publicação na Revista Graciliano Ramos, por ser um veículo da imprensa oficial do Estado”, pontua Etevaldo, conterrâneo do poeta.
Homenagens
Apesar da morte prematura e da obra dispersa, Bráulio Cavalcante continua admirado, sobretudo em sua terra natal. “Para nós, pão-de-açucarenses, Bráulio Cavalcante sempre se constituiu na referência maior dentre os filhos da terra, pelo muito que fez em sua curta passagem terrena”, opina o secretário-chefe do Gabinete Civil do Estado, Álvaro Machado, também conterrâneo e entusiasta admirador do poeta.
Segundo Etevaldo Amorim, o nome de Bráulio Cavalcante está imortalizado em logradouros públicos como a principal avenida de Pão de Açúcar, onde há um busto do poeta, e em Maceió, na Praça do Montepio, em frente à OAB, que também tem seu nome e outro busto.
Para saber mais
A obra de Bráulio até agora levantada compreende o conjunto de sonetos “Reino do Som”, que pode ser encontrado no Arquivo Público de Alagoas (APA); os dramas “A Viagem do Sonho” e “Teatral”, disponíveis em arquivo pessoal de Homero Cavalcante e em publicação do antigo jornal alagoano O Gutemberg, presente no Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas (IHGAL); além outros poemas e romances.
Sobre a vida do autor, há ainda informações disponíveis nos livros “Terra do Sol, Espelho da Lua”, de Etevaldo Amorim; “ABC das Alagoas”, do historiador Francisco Reynaldo Amorim; e em “Monografia de Pão de Açúcar”, de Aldemar de Mendonça.








